Quais são as cirurgias mais realizadas em recém-nascidos?
Quando o bebê nasce com alguma má-formação é sempre um susto para a mãe. Ter que submeter o pequeno a um tratamento cirúrgico gera uma enorme preocupação. O fato é que grande parte dessas má-formações pode ser identificada ainda durante a gravidez. “É importante que a gestante faça exames de rotina durante o pré-natal. E caso seja identificado algum tipo de má-formação, já procure um cirurgião pediátrico especialista na área”, informa a cirurgiã pediátrica Dra. Elisângela de Mattos e Silva. Saiba mais sobre o assunto com a especialista:

Publicidade

Quais são as cirurgias mais realizadas em recém-nascidos?

São as cirurgias para correção das má-formações congênitas, que são defeitos do desenvolvimento e formação dos órgãos do bebê no período intrauterino. Excluindo-se as má-formações cardíacas e neurológicas (abordadas por cirurgiões específicos dessas áreas), as demais variam de pequenos defeitos comuns, como as hérnias inguinais ou defeitos branquiais até má-formações mais complexas da parede abdominal, dos sistemas pulmonar, digestório e urinário. Entre as doenças adquiridas (não-congênitas) do recém-nascido que podem necessitar cirurgia estão a estenose hipertrófica do piloro, enterocolite necrozante, tumores, perfurações e obstruções intestinais.

E quais são as má-formações congênitas mais comuns?

As mais comuns são:

  • Hérnia inguinal - facilmente detectada por um aumento de volume na virilha e requer cirurgia logo após o diagnóstico, mesmo em prematuros. É uma cirurgia rápida, com poucos riscos e ótimo resultado.
  • Má-formações pulmonares (cística, enfisema lobar, sequestro pulmonar, cistos broncogênicos) – podem apresentar-se precocemente com dificuldade respiratória ou pneumonia, necessitando cirurgia.
  • Hérnias diafragmáticas - quando volumosas, manifestam-se nos primeiros minutos após o nascimento com quadro de insuficiência respiratória grave, necessitando abordagem rápida e precisa do neonatologista, encaminhamento para UTI e acompanhamento do cirurgião pediátrico para indicação cirúrgica no momento exato.
  • Defeitos da parede abdominal (onfalocele, gastrosquise, extrofias) – manifestam-se com exteriorização de alguns órgãos por um defeito na parede abdominal sem cobertura de pele. Necessitam de rápido encaminhamento para correção cirúrgica.
  • Má-formações do sistema digestório (atresias de esôfago, intestino, anorretais, megacólon congênito) – apresentam-se precocemente e necessitam tratamento cirúrgico nos primeiros dias de vida.
  • Atresias das vias biliares e cisto de colédoco - manifestam-se com fezes descoradas e icterícia, e devem ser investigadas sempre que persistirem por mais de 2 ou 3 semanas.

É comum crianças nascerem com hérnia umbilical. Em relação a esse problema, deve-se operar logo?

A hérnia umbilical é um defeito do fechamento da parede abdominal na região do cordão umbilical. Os defeitos pequenos (até 2cm) costumam fechar até os 2 anos de idade, não precisando de nenhuma cirurgia. Já os maiores, ainda que possam diminuir até essa idade, necessitam muitas vezes de procedimento cirúrgico para total fechamento da hérnia e correção estética. Entretanto, por não implicarem em risco para o bebê, além da grande probabilidade de fechamento espontâneo, raramente têm indicação de cirurgia antes dos 2 anos de vida.

É possível ter um diagnóstico de má-formação ao realizar uma ultrassonografia?

Sim. Com a evolução técnica da ultrassonografia, inclusive com imagens em 3D, a maioria das má-formações congênitas podem ser diagnosticadas através do exame. É de extrema importância que, ao receber um diagnóstico de má-formação congênita durante o ultrassom pré-natal, a gestante procure orientação de um cirurgião pediátrico especialista nessa área. O ultrassom morfológico, realizado por profissional experiente pode fornecer detalhes importantes para o cirurgião, visando o sucesso do tratamento.

A cirurgia de um recém-nascido é similar à de um adulto?

Não. Os órgãos e tecidos do recém-nascido estão em rápido e constante crescimento e desenvolvimento, e existem particularidades importantes do seu metabolismo que devem ser conhecidas e respeitadas. Além disso, as doenças do recém-nascido que requerem tratamento cirúrgico são muitas vezes má-formações congênitas e, portanto, totalmente diferentes das doenças do adulto.

Quais as qualificações de um profissional que realizará uma cirurgia em um recém-nascido?

Por se tratar de um grupo de doenças muito específico dessa faixa etária e por particularidades do recém-nascido, o cirurgião pediátrico é o único profissional que tem a formação direcionada ao tratamento cirúrgico dessas má-formações. Além do hospital, UTIs, estrutura e materiais devem ser apropriados para esse grupo de pacientes; a equipe de anestesiologistas, pediatras, intensivistas e enfermagem envolvida deve ter formação especializada e direcionada para o atendimento ao recém-nascido.

Como é a recuperação do recém-nascido?

Cirurgias mais simples, como hérnias inguinais, cistos e fístulas branquiais têm recuperação rápida, e os pacientes podem ir embora no mesmo dia. Já algumas má-formações do trato gastrointestinal e pulmonares podem necessitar alguns dias ou semanas de internação e cuidados de UTI. Casos mais graves podem manero bebê semanas ou meses no hospital.