Problemas auditivos na infância
Já reparou? Muitas crianças não respondem bem aos sons e aos chamados, parecem distraídas. Aumentam o volume da TV e da música e se isolam com seus joguinhos. Outras ficam irritadas e briguentas, gritam muito, não se socializam bem, têm problemas para aprender. Será que é normal?

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Muitos nem imaginam, mas isso pode significar algum problema para ouvir, pois a audição é importantíssima para o desenvolvimento saudável da criança. As mães e as professoras mais atentas logo percebem, mas nem sempre conseguem identificar o que está acontecendo.A otorrinolaringologista Dra. Mônica Menon explica que, muitas vezes, a perda de audição acontece por cera acumulada, otites ou por secreção retida nos ouvidos após um resfriado mais forte. “O médico otorrinolaringologista na mesma hora faz o diagnóstico e trata estes casos tão comuns”, afirma a especialista e, em seguida, alerta: “Ouvir não envolve só os ouvidos, mas também o cérebro. O som passa através do tímpano, os ossinhos, os líquidos do ouvido interno.

Depois o estímulo percorre fibras nervosas até o cérebro, que recebe, arquiva, filtra a mensagem e elabora uma resposta: uma frase, um movimento, uma reação. Por isso, é importantíssimo que todas as estruturas do ouvido estejam íntegras.” Para ajudar as mamães a ficarem mais atentas, confira a entrevista completa com a profissional:

Como sabemos se a criança ouve bem?

Em todas as idades existem testes adequados frente ao que a criança consegue responder. Com as Emissões Otoacústicas (teste da orelhinha) se faz a triagem auditiva logo no berçário. Conforme a criança cresce, aumenta a consistência das respostas e o diagnóstico fica mais preciso. A audiometria infantil, tonal e vocal, e a imitanciometria definem objetivamente se a criança está escutando bem ou não; se o problema é secreção nos ouvidos ou se o nervo está comprometido. Algumas crianças podem precisar de exames mais complexos.

Quais os principais problemas da criança que não escuta?

Ela pode apresentar distúrbios de linguagem e aprendizado. Não conseguindo se comunicar, podem surgir também problemas de comportamento, humor e socialização. A capacidade de aprender fica comprometida porque a informação “não chega” ao cérebro, na época em que a criança mais tem facilidade para isso. Nos países desenvolvidos e nas escolas mais criteriosas, a avaliação da audição é pré-requisito obrigatório antes da alfabetização.

Algumas crianças se comportam como quem não escuta, têm dificuldade para aprender, mas têm os ouvidos e a avaliação auditiva normais. O que pode estar acontecendo?

Isso significa que o problema está em outra área do cérebro, gerando distorção do som ou desentendimento, resultando em mensagens confusas. As Desordens do Processamento Auditivo Central (DPAC) podem ocorrer isoladamente ou acompanhando outros problemas, tais como os transtornos de linguagem, de atenção e hiperatividade, dislexia, doenças do espectro autista, dentre outras. Pela possível associação, é muito importante e necessário um diagnóstico bem criterioso por meio do teste do Processamento Auditivo Central.

Frequentar muito a piscina também pode provocar perda da audição?

Água em excesso pode levar à perda de audição temporária, por cerúmen nos ouvidos, mas também a coceira e descamação. Com a remoção da cera e curativos, isso se resolve rapidamente. Algumas crianças passam a ter muitas otites quando fazem natação, e neste caso indica-se a proteção dos ouvidos com tampões moldados individualmente de acrílico siliconado.