Novos alimentos para o bebê
Durante os seis primeiros meses de vida, o leite materno é capaz de nutrir adequadamente a criança, não necessitando de quaisquer outros complementos. Mas, a partir desse período, a alimentação deve ser complementada com a introdução de novos alimentos, que devem apresentar adequação nutricional, pois são fundamentais na prevenção de diversas doenças, principalmente desnutrição e sobrepeso na infância. O Manual da Mamãe entrevistou a nutricionista Dra. Denise Samari, que deu dicas importantes. Segundo ela, os alimentos devem ser primeiramente oferecidos na forma de papa/purê, sem açúcar e sem sal, amassados e nunca liquidificados e/ou peneirados, a fim de estimular a mastigação e deglutição da criança.

Publicidade

Qual a importância do leite materno durante os primeiros meses de vida do bebê?

Até os seis primeiros meses o bebê não precisa de nada além do leite materno. Nem água ou chazinho é necessário neste período. Isso pode diminuir a vontade de mamar e a consequência é a diminuição na produção de leite. O leite do início da mamada é mais rico em água e açúcar, saciando também a sede do bebê e, ao do final da mamada, mais rico em gordura. É só depois dos seis primeiros meses que o bebê vai poder experimentar novos sabores e texturas, quando são introduzidos mingaus, sopas e frutas.

Com que intervalo deve introduzir os novos alimentos?

Os novos alimentos devem ser introduzidos gradualmente, isto é, um de cada vez, a cada três a sete dias. A criança poderá rejeitar os novos alimentos, mas isso não deve ser visto como uma aversão permanente da criança ao alimento. Em média, ela precisa ser exposta a um novo alimento de 8 a 10 vezes para que ele seja bem-aceito.

Existe uma quantidade ideal de alimento que a criança pode ingerir por dia?

A quantidade e a frequência do alimento devem ser oferecida conforme aceitação da criança, sua necessidade e quantidade de leite materno ingerido. A criança deve ser encorajada a se alimentar, porém o alimento deve ser ofertado em ambiente tranquilo, de forma paciente, respeitando a sensação de saciedade. A composição da dieta deve ser variada e oferecer todos os tipos de nutrientes. Inicialmente, a quantidade de alimento complementar que a criança ingere é pequena, porém deverá ser aumentada gradativamente, de acordo com a idade. Dos seis aos oito meses, devem ser oferecidas de duas a três refeições por dia, intercaladas com as mamadas. Dos nove meses aos dois anos, devem ser oferecidas de três a quatro refeições por dia. Caso neste período ocorra o desmame total, o número de refeições pode aumentar.

Quais os principais alimentos que apresentam maiores riscos de causar alergia se forem introduzidos precocemente? Quais os sintomas?

A criança tem o aparelho digestivo muito imaturo e está unicamente habituado ao leite materno, assim é provável que possa ter uma reação alérgica a alguns alimentos. Para que isso não aconteça, o nutricionista recomendará que se vá introduzindo gradualmente os novos alimentos. Deve-se introduzir inicialmente um único novo alimento de cada vez, com intervalo de três a quatro dias até nova introdução. Assim, é possível verificar se algum alimento lhe provoca alguma alteração ou alergia, sabendo ainda quais são as preferências do seu bebê. Os sintomas que podem ocorrer em caso de intolerância ou alergia, depois de o seu filho ter provado um alimento pela primeira vez, são: alterações do ritmo intestinal, vômito, reação cutânea (estilo urticária), edema dos olhos, face ou mãos e diarreia. Entre os alimentos mais alérgicos se destacam: o leite de vaca, glúten (proteína existente no trigo, centeio, cevada, aveia), cítricos, a clara de ovo, os frutos secos, peixe e mariscos.

Qual o papel dos pais na dieta saudável da criança?

O papel do pais é de suma importância, pois eles são os modelos dos filhos. De nada vale insistir com a criança para que coma determinados alimentos, se eles não forem consumidos habitualmente em família. Elas apresentam uma tendência natural para rejeitar novos alimentos (neofobia), particularmente vegetais e frutas, mas têm também a capacidade de aceitar novos alimentos quando são oferecidos repetitivamente.

A alimentação pode influenciar no comportamento e humor do bebê?

Pode, mas a mãe deve ficar atenta, pois o importante é tentar criar uma rotina de horários na vida da criança. A quantidade e a frequência do alimento devem ser ofertada conforme aceitação da criança, sua necessidade e quantidade de leite materno ingerido. Se desrespeitar esses horários, claro, o bebê pode sentir alterações e mudar o seu humor. O choro é o meio mais eficaz para o bebê manifestar uma necessidade ou um mal-estar.

Que alimentos auxiliam no bom funcionamento do intestino do bebê?

As frutas, pois são ricas em vitaminas, sais minerais, fibras e carboidratos. Elas alimentam, dão energia e regulam o funcionamento do intestino. As mais indicadas para os bebês são: laranja-lima, o mamão, maçã, banana e pera.