Em que casos o bebê pode precisar de uma cirurgia urológica?

Testículos que não desceram, hérnias, fimose, entre outras má-formações urológicas e genitais em bebês são problemas que preocupam em um primeiro momento, mas que são passíveis de tratamento, muitas vezes com intervenções cirúrgicas simples. A médica cirurgiã pediátrica Dra. Maria Helena Camargo Peralta Del Valle relata a seguir os problemas mais comuns nessa área e explica quando é necessário submeter o bebê à cirurgia ou não. Confira:

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O que é fimose? Quando causa preocupação?

Fimose é quando o prepúcio (uma dobra de pele e membrana mucosa retrátil que cobre a extremidade do pênis) não pode ser completamente retraído, para expor totalmente a glande (“cabeça” do pênis), porque possui uma abertura muito pequena para a passagem da glande. No bebê, existe naturalmente uma aderência do prepúcio à glande (fimose fisiológica), a qual desaparece na grande maioria dos meninos até os 3 anos. A fimose que se mantém após essa idade deve ser avaliada e operada. Nas crianças menores de 3 anos, quando a fimose está associada à infecção urinária, balanopostite, que é a infecção da pele, ou retenção urinária deve ser operada precocemente.

Como é feita a cirurgia nesses casos?

A cirurgia da fimose (postectomia) pode ser realizada pela técnica clássica com pontos ou com a utilização de plastibel (anel plástico). A técnica será decidida em comum acordo entre pais e cirurgião. Geralmente, a criança retorna plenamente a todas as suas atividades num período de 10 a 15 dias após a cirurgia.

Quando o testículo do bebê não está na bolsa escrotal, o que deve ser feito?

Esta situação é denominada de criptorquidia. Quando o bebê nasce com criptorquidia deve-se aguardar até o quarto mês de vida para dar o diagnóstico definitivo, pois até essa data pode ocorrer a descida testicular espontânea, devido à ação dos hormônios masculinos nesta fase. A não descida testicular após o quarto mês de vida deve ser avaliada pelo cirurgião para determinar o melhor momento para o procedimento cirúrgico, o qual, na maioria dos casos, vai ser realizado entre seis meses e 2 anos de idade. O tratamento cirúrgico é importante, pois na bolsa escrotal a temperatura de 35,5 ºC determina condições ideais para a manutenção do potencial de fertilidade, com o qual o paciente nasceu. O testículo mantido fora da bolsa escrotal tem seu potencial de fertilidade diminuído, devido à ação da temperatura mais elevada do corpo.

O saquinho do bebê está inchado. Isso é preocupante?

Este problema é chamado de hidrocele, ou seja, quando a bolsa escrotal se encontra aumentada de volume, preenchida com um conteúdo líquido. Isso pode ocorrer desde o nascimento e ser unilateral ou bilateral. Nesses casos, o bebê deve ser avaliado pelo cirurgião, o qual irá definir se esta hidrocele é comunicante ou não. Se for comunicante com a cavidade abdominal, deve ser operada, enquanto a não comunicante não deve ser operada, pois esse conteúdo líquido pode regredir espontaneamente. Sempre deve-se avaliar o bebê para ter certeza de que se trata de hidrocele e não de hérnia inguinal.

E se for hérnia inguinal, o que fazer?

Quando o feto do sexo masculino cresce e amadurece durante a gravidez, os testículos se desenvolvem no abdômen e, em seguida, descem para o escroto, através de uma área chamada de canal inguinal. Pouco tempo depois que o bebê nasce, o canal inguinal se fecha, impedindo que os testículos se movam de volta para o abdômen. Se essa região não se fechar completamente, uma alça de intestino pode mover-se para dentro do canal inguinal, através da área enfraquecida da parede abdominal inferior, causando uma hérnia. É preciso realizar uma operação assim que for feito o diagnóstico, uma vez que o intestino pode ficar preso no canal inguinal. Quando isso acontece, a irrigação sanguínea para o intestino pode ser interrompida e ele pode ficar danificado. A operação de hérnia é geralmente um processo bastante simples e as crianças, muitas vezes, podem ir para casa no mesmo dia da cirurgia.

O que é hidronefrose ou dilatação renal?

A hidronefrose (dilatação da pelve renal) pode ser diagnosticada no período pré-natal, nas ecografias de rotina. Essa dilatação pode ocorrer em um ou nos dois rins. Após o nascimento, o bebê deverá ser avaliado com nova ecografia e outros exames de imagem, os quais irão definir a causa desta dilatação, para definir se o paciente será encaminhado ou não para cirurgia. Se a hidronefrose for fisiológica, não será necessária nenhuma intervenção, mas o bebê deverá ser acompanhado por um urologista pediátrico, por pelo menos um ano. Quando as hidronefroses são decorrentes de obstrução, a mais comum é a estenose na junção uretropiélica – do rim com o ureter – então, será necessário uma cirurgia chamada de pieloplastia.