Decifre o seu bebê
Quando você recebe seu bebê nos braços surgem dezenas, ou quem sabe, centenas de dúvidas ou curiosidades em relação ao seu bem mais precioso. Quando o choro vem, então, muitas mães se desesperam... Por isso, o Manual da Mamãe consultou a Dra. Valéria Granieri, especialista em pediatria e doenças e sintomas que seu bebê pode apresentar nos primeiros anos de vida, o que eles significam e como agir quando se deparar com alguns deles. Em caso de qualquer dúvida, sempre consulte seu pediatra para maiores informações e nunca use nenhum medicamento sem a autorização dele. Esta matéria é apenas para ajudá-la a identificar alguns problemas mais comuns. Confira:

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Cólicas

O que é: A cólica pode ser definida por um choro inexplicável durante os três primeiros meses de vida do bebê. Trata-se de uma dor aguda na região abdominal que pode se expandir para todo o tórax. Acontece com cerca de 15% dos recém-nascidos e se manifesta após a primeira quinzena de vida.  A boa notícia é que o quadro desaparece espontaneamente por volta dos três primeiros meses de vida. Um dado interessante: Mães ansiosas têm nove vezes mais chances de ter um filho com cólicas que mães mais tranquilas. Afinal, o bebê pode sentir o estado emocional dos pais.

Causas: não estão totalmente esclarecidas, mas os médicos suspeitam que as dores surjam em consequência da imaturidade do aparelho gastrointestinal.

Sintomas: O choro é bastante característico: picos intensos com intervalos de descanso. Cada episódio pode durar de 30 minutos a duas horas. Além disso, o bebê se retorce, fica com as faces vermelhas e encolhe as perninhas.

O que fazer? Mantenha o ambiente calmo, evite as visitas demoradas, segure o bebê com segurança. A "sacudida" é contraindicada. Evite também alimentação excessiva.  Outra medida importante é fazer o bebê arrotar após as mamadas para aliviar o desconforto causado pelos gases. Compressas aquecidas - pode ser uma fralda ou bolsa de água quente- na barriga também diminuem o incômodo.

 

Refluxo na infância

O que é: O refluxo Gastroesofático é a volta do alimento, sólido ou líquido, do estômago para o esôfago. Mas é importante diferenciar a regurgitação, comum a todos os bebês, da doença do refluxo. Este é considerado patológico quando os episódios de vômitos e regurgitações acarretarem em danos para a saúde do bebê, como por exemplo, o baixo peso ou aspiração pulmonar do conteúdo gástrico.

Causas: O esôfago é um tubo muscular que conduz os alimentos da boca ao estômago. Na sua parte interior existe um esfíncter que se abre para a passagem do alimento e se fecha para que o alimento não volte. Quando o esfíncter é fraco ou imaturo, ele não segura o alimento no estômago , que acaba voltando para o esôfago, na forma de regurgitação ou vômito. A grande maioria dos bebês apresenta refluxo gastroesofático por causa da imaturidade do esfínger esofagiano.

Sintomas: Irritabilidade, choro persistente, dificuldades para dormir, recusa de alimentos ou complicações relacionadas ao nariz, ouvidos, seios da face e garganta. Em casos mais graves a criança pode apresentar até uma apnéia (parada respiratória).

O que fazer? O refluxo pede alguns cuidados que devemos ter no cotidiano das crianças para que ele seja controlado. A manutenção do leite materno é essencial, assim como deixar a criança no colo "em pé" para arrotar depois de alimentada ou esperar por pelo menos meia hora antes de deitá-la. Fracione a alimentação. A quantidade de alimento deve ser menor por vez e dada em mais vezes ao dia. Alguns alimentos devem ser evitados, como gordura e frituras, chocolate, sucos cítricos (ácidos), café, refrigerante e iogurte. A cabeceira do berço deve ficar elevada e o bebê deve deitar do lado esquerdo. Em alguns casos é necessário introduzir medicamentos. Se o remédio não adiantar, a criança deve ser avaliada pelo cirurgião infantil. Em 80% dos casos, o refluxo tende a regredir a partir dos seis meses de vida, coincidindo, com a introdução dos alimentos sólidos e condição de postura corporal ereta.

 

Dor de Ouvido

O que é: Estima-se que 75% dos baixinhos têm pelo menos um episódio de dor de ouvido ao longo dos três anos de vida. O alvo geralmente é o ouvido médio, porque essa região ainda não apresenta defesas suficientes contra a presença de micro-organismos invasores. E mais: as secreções do nariz, por exemplo, podem bloquear o canal auditivo e provocar a dor.

Causas: Vírus e bactérias atingem facilmente os canais auditivos e podem contaminá-los e inflama-los.

Sintomas: Choro intenso, irritabilidade, dificuldade para dormir e febre. Alguns pequenos chegam a puxar uma ou ambas as orelhinhas. Às vezes, aparece secreção de diminuição de audição (casos mais graves).

Tratamento: Além de tratar a infecção com remédios para combater a dor e antibióticos contra bactérias, pode ser dado a criança antitérmicos para baixar a febre. Uma boa alternativa enquanto não se localiza o pediatra é fazer uma compressa com uma fralda aquecida por ferro na região do ouvido. E, muito importante, nunca pingue substâncias como óleo quente no ouvido da criança. Isso pode piorar a infecção e danificar o aparelho auditivo. Para evitar o problema, procure sempre proteger o ouvido quando o pequeno tomar banho e também nos dias de frio. As otites são as causas mais comuns de perda de audição em crianças, por isso, fique atento! A limpeza do ouvido em casa deve ser feita com um pano macio enrolado no dedo e passado na parte de fora da orelha. Atenção a mais um alerta: a otite média, uma infecção de ouvidos mais comum em crianças, muitas vezes é causada por causa da mamadeira. Geralmente as crianças mamam deitadas, principalmente antes do sono chegar. Como os pequenos apresentam a tuba auditiva mais horizontada que os adultos, o leite chega ao ouvido médio com mais facilidade e causa inflamação. Portanto, a melhor posição para colocar o bebê para mamar é sentadinho. Crianças entre 0 a 12 meses amamentadas têm metade do numero de otites do que as que não foram amamentadas, por dois motivos: o leite materno transmite os anticorpos da mãe para o bebê e a posição da criança é mais adequada. Também não deite o bebê logo após amamenta-lo. Se regurgitar, o líquido sobe pela fossa nasal até chegar ao ouvido e pode causar uma inflamação.

 

Dor de garganta

O que é: Inflamação causada por vírus ou bactéria que deixa a garganta sensível e dolorida, principalmente ao engolir algum alimento.

Causas: Gripes e resfriados que provocam amigdalites e faringites.

Sintomas: O principal é, sem dúvida, a dor intensa na região. Os bebês choram muito, e se recusam mamar. Os maiorzinhos rejeitam também a papinha. Além disso, sintomas, como vômito, febre, indisposição, mau hálito e moleza são sinais importantes que apontam a doença.

O que fazer? Podem ser usados medicamentos, prescritos pelo médico, para tratar o estado geral da criança, com analgésicos e antitérmicos. Se a infecção for causada por bactéria, muitas vezes, o médico prescreve antibióticos.

 

Diarreia

O que é? A diarreia aguda é uma das principais causas de mortalidade em crianças com menos de 5 anos de idade e especialmente naquelas com menos de um ano, nos países em desenvolvimento como o Brasil. É caracterizada como um aumento do número de evacuações, com ou sem diminuição da consistência das fezes, que se tornam líquidas ou semilíquidas devido ao maior conteúdo de água e sair.

Causas: Os agentes que causam a diarreia podem ser vírus, bactérias ou protozoários. A diarreia aguda deve durar em média 10 dias.

O que fazer?  O ideal é hidratar a criança como soro oral, mas se a criança está aparentemente doente, desidratada, a reposição de líquidos geralmente é realizada pela via endovenosa, em ambiente hospitalar. A dieta adequada é obstipante, como banana, maça, suco de goiaba, caju, batata cozida com sal, canja de frango. A higiene como a lavagem das mãos na hora do preparo dos alimentos para a criança, a quantidade de água usada e a higiene domiciliar são importantes métodos para prevenção da diarreia.  O leite de peito jamais deve ser suspenso, pois é facilmente digerido e possui substâncias que dão imunidade ao bebê, tornando o alimento ideal nos períodos de diarreia.

 

Dicas do Manual da Mamãe:

Quando passar por qualquer um destes problemas com o seu bebê, não se desespere! Antes de ligar para o pediatra do seu filho, anote todas as dúvidas. Tenha caneta e papel à mão para anotar as orientações. Cuidado com doses de medicamentos. As ligações devem ser rápidas. Caso tenha muitas dúvidas, melhor pedir um encaixe de consulta. Afinal, assim como você, o médico também dirige, almoça, tem filhos, etc.