Cuidados com o desenvolvimento do bebê prematuro
Com a melhoria do atendimento obstétrico e neonatal, recém-nascidos prematuros cada vez menores têm sobrevivido. Passada a fase da UTI Neonatal, muitas vezes angustiante, em que os pais se preocupam com a sobrevivência do seu filho, vem a fase do “será que ele vai crescer e se desenvolver normalmente?”.

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A endocrinologista pediátrica Dra. Adriane de Andre Cardoso Demartini explica que os últimos três meses de gestação são caracterizados por grande ganho de peso e crescimento fetal. O bebê que nasce prematuro “perde” parcial ou totalmente esta fase tão importante na barriga da mãe e gasta mais calorias para viver fora do útero. Assim, seu crescimento depende de vários fatores, como tempo de gravidez, crescimento intrauterino (se nascido adequado ou pequeno para a idade gestacional), saúde nos primeiros dias, peso ao nascer, estado nutricional materno etc.

“Quando o bebê supera os problemas causados pela prematuridade, começa a fase de recuperação e ele ganha peso e cresce mais rápido do que uma criança nascida a termo. Primeiramente, normaliza o perímetro da cabeça, depois o comprimento e, por fim, o peso. As medidas são corrigidas para a idade gestacional até os 3 anos de idade e espera-se que tudo esteja dentro das curvas de referência até o fim do primeiro ano”, informa.

Enquanto algumas crianças entrarão no canal de crescimento aos 3 ou aos 5 anos, outras só o atingirão na adolescência. “Alguns problemas da prematuridade, como a displasia broncopulmonar e a enterocolite necrosante, bem como o nascer pequeno para a idade gestacional, podem dificultar essa recuperação. Cerca de 30% dos prematuros continuarão com peso e estatura abaixo do padrão familiar, chegando à altura adulta abaixo do esperado”, esclarece.

O importante é que o crescimento seja acompanhado desde cedo e se a criança não atingir as curvas de referência espontaneamente, a Dra. Adriane explica que uma avaliação mais detalhada deverá ser feita tão logo os pais ou o pediatra percebam o problema. Não se deve esperar até a adolescência para consultar um especialista, pois o estirão puberal, ou seja, a aceleração do crescimento que ocorre nessa fase, pode não ser suficiente para normalizar a estatura.

Por outro lado, alerta a endocrinologista, os prematuros podem apresentar obesidade já na infância. É a “programação metabólica”, com maior risco de doenças, como hipertensão arterial, alterações do colesterol, diabetes e doenças cardiovasculares. “É importante manter um equilíbrio no ganho de peso, com alimentação saudável e bons hábitos de vida, preparando o seu prematuro nos primeiros mil dias de vida para viver mais de 100 anos!”, ressalta a Dra. Adriane.