BLW: alimentação sem papinha dá certo?
Já pensou em oferecer comidinha picada no lugar da papinha? Esta nova maneira de apresentar os alimentos aos bebês vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil. Trata-se do método BLW, sigla derivada de Baby-led Weaning, que traduzido bem ao pé da letra significa o “desmame que o bebê lidera” e refere-se a uma alimentação sem papinhas ou mingaus, guiada pelo bebê.

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“A proposta é que por volta dos seis meses de vida a criança comece a fazer as refeições junto com a família. A comida é oferecida picada, em formas e tamanhos que ela seja capaz de segurá-la com as mãos e levá-la à boca. Assim, o pequeno vai comer o que quiser e na velocidade que quiser, sem pressão por parte dos pais, o que a incentiva a ter maior confiança”, explica a nutricionista Dra. Christiane Scarel.

Segundo a especialista, entre as principais vantagens do BLW estão o incentivo à mastigação - importante no desenvolvimento motor da criança - e a possibilidade da criança descobrir cada sabor e discriminar frutas e legumes. “Com o alimento picado, a criança sente o gosto, a consistência e outros detalhes que não seriam possíveis em uma papinha que mistura diversos alimentos”, diz.

Além disso, sem ser amassado para virar papinha, acrescenta a Dra. Christiane, o alimento preserva propriedades importantes, como as fibras, que podem auxiliar no bom funcionamento intestinal. “Outro benefício é que o fato de o bebê comer de forma devagar, aprendendo aos poucos a mastigar sua comida, também combate a obesidade infantil.”

Cuidados

Os alimentos não podem ser cortados em pedaços muito pequenos. “É preciso ter bastante organização na criação do cardápio. Por isso, é importante ter o acompanhamento de um nutricionista. Com a introdução do BLW, acompanhado do aleitamento materno, a criança terá suprida toda sua necessidade nutricional”, aconselha a Dra. Christiane.

Outra preocupação é com a possibilidade de o bebê engasgar. A nutricionista esclarece que isso pode acontecer com qualquer tipo de técnica de introdução alimentar. Por isso, por mais autonomia que o BLW dê para a criança, é importante que os pais estejam sempre observando a alimentação dos pequenos.

“É preciso tomar cuidado com alimentos que possam favorecer engasgos graves, como tomate, cereja ou ovo de codorna. Também é necessário retirar caroços e sementes. Legumes cozidos são mais macios e fáceis de serem consumidos.”