Quais cosméticos a gestante pode usar?
A gestação e a lactação são períodos que requerem cuidados importantes no que diz respeito à utilização de cosméticos e medicamentos em geral. Em virtude da fácil transferência de substâncias entre a barreira placentária e o feto e também entre o leite materno e o bebê, muitos ativos são proibidos nesses períodos. “Atualmente, com a introdução de substâncias cada vez mais biotecnológicos e ambientalmente corretas, ou seja, de origem vegetal e certificado ecocert, surgem opções de tratamentos interessantes para a gestante e lactante”, ressalta o farmacêutico industrial Wagner Massami Noda, da Pura Essência Farmácia de Manipulação. Confira as dicas do profissional, lembrando sempre que antes de colocar em prática todas essas informações, consulte seu médico.

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Quais produtos são proibidos de serem consumidos pelas gestantes no mercado brasileiro?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe o uso de algumas substâncias em gestantes: os derivados do chumbo presentes em tinturas para cabelo, a cânfora e a ureia (acima de 3%), que estão em muitos cremes de massagem e hidratantes corporais, e os ácidos retinoico, glicólico e salicílico presentes em produtos anti-idade e clareadores de pele. Existem alguns outros produtos que devem ser evitados, como os conservantes derivados de parabenos e algumas substâncias presentes nos filtros solares.

Por que no mercado existe pouca oferta de produtos de uso para gestante e lactantes?

A principal razão é porque não obtemos estudos clínicos que comprovem a sua toxicidade em gestantes, pois não podemos fazer testes em humanos (gestantes). Nossa principal referência se baseia em testes em animais de laboratório e quando um produto é genotóxico, ou seja, pode causar problemas em fetos de animais, ele não pode ser aprovado ou recomendado para uso.

A suplementação de vitaminas e minerais já é hábito das gestantes, em virtude da necessidade de reposição neste período. Existe algum produto interessante para a suplementação da gestante, que não esteja dentro deste contexto?

Existem algumas substâncias ou produtos no mercado que não são prescritos corriqueiramente, mas que podem ser utilizados com segurança. Um deles se refere ao Incell, um produto retirado da gema do ovo esterilizado, rico em fosfatidilcolina e Omega 3, mais precisamente a porção rica em DHA (ácido docosahexanoico). Os estudos sugerem que a sua suplementação antes e durante a gestação pode auxiliar na formação neuronal e na função cognitiva do bebê. Além disso, é uma fonte rica em aminoácidos e ácidos graxos, que ajudam na redução do colesterol, além de auxiliar na regulação da pressão arterial da gestante.

Com relação à utilização de filtros solares, existe alguma restrição para as gestantes?

Os filtros solares em sua grande maioria são compostos por substâncias lipossolúveis, ou seja, que ultrapassam facilmente a barreira placentária, chegando até o feto. Muitas delas são encontradas na urina, depois de quatro horas da aplicação, e podem causar toxicidade ao feto, devido ao seu uso prolongado e contínuo. Hoje, existe a possibilidade da utilização de filtros solares 100% físicos ou orgânicos, ou seja, que não possuem em sua composição estas substâncias lipossolúveis, agindo apenas na camada superficial da pele, sem penetração cutânea.

Uma das principais queixas das gestantes se deve à formação de estrias. Existe algum tratamento seguro para esta finalidade?

O melhor é prevenir, usando desde o primeiro trimestre de gestação substâncias ou produtos hidratantes. No mercado existem algumas marcas de hidratantes específicas para a gestante, porém a grande oferta de hidratantes à base de ureia (proibido para gestante em concentração acima de 3%), requer um cuidado maior na hora da escolha. A forma mais segura de hidratar a pele é utilizando óleos puros, como óleo de amêndoas, óleo de semente de uva, óleo de macadâmia, etc. Também existem outros óleos que merecem a atenção por suas propriedades hidratantes e cicatrizantes melhoradas, sendo considerados óleos nobres, tais como o óleo de framboesa, o óleo de rosa mosqueta e o óleo proveniente de ômegas.

Mas e se a estria aparecer, não existe nada que possa ser feito?

O principal tratamento de estria feito topicamente é proveniente do ácido retinoico e seus derivados, mas já vimos que não é possível a utilização dele nesta época de gestação. Existe uma substância chamada de dermochlorella, proveniente de uma alga chamada chlorella que possui atividade anti-elastase e anticolagenase, ou seja, possui propriedade de combater a formação da estria, principalmente a de coloração avermelhada. Por ser derivada de uma alga que é muito consumida na forma de alimento e pelos estudos toxicológicos apresentados, é considerada uma substância segura na gestação.

Outro problema comum na gestação é a formação de manchas no rosto, causadas por alterações hormonais. Existe algum produto que pode ser utilizado para diminui-las?

Existem, sim, algumas alternativas de tratamento tópico. Um deles é baseado na utilização de um ácido conhecido como ácido azelaico e seus derivados, que possuem a propriedade de esfoliação da pele, consequentemente diminuindo a sua espessura e também sua oleosidade. Propriedade esta interessante porque permite que os clareadores sejam mais eficazes em sua ação e penetração. Arbutin (derivado do arroz), citrolumine (derivado de frutas cítricas), oda white (derivado da jaca), antipollon HT (derivado de sílica) e as diversas vitaminas C que existem são algumas substâncias clareadoras permitidas para as gestantes.