Programação metabólica
Gravidez descoberta, redobre sua atenção com a alimentação, o estresse e a exposição às substâncias tóxicas. Estudos já comprovaram que gestantes que se alimentam inadequadamente, que convivem com substâncias tóxicas ou que passam por situações de estresse têm maiores chances de comprometer o desenvolvimento do bebê. E esses bebês, quando adultos, tendem a desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes, câncer, depressão etc. Cientificamente, a situação recebe o nome de programação metabólica. Ciente disso, a nutricionista Dra. Luciane Felix desenvolve um trabalho de consultoria nutricional para ajudar as mamães a reeducarem sua alimentação visando ao bem-estar do bebê. Entenda melhor:

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O que é programação metabólica?

A programação metabólica (ou “imprinting”) é definida por alguns estudiosos como a influência que o ambiente gestacional tem sobre efeitos permanentes na estrutura, na fisiologia e no metabolismo do indivíduo ao longo de sua vida, podendo o predispor a determinadas doenças.

Qual a sua relação com a nutrição materna na gestação?

Antes de estar grávida e durante a gestação o estado nutricional da mulher pode exercer efeitos determinantes nas fases do desenvolvimento fetal e na saúde do bebê ao longo de sua vida, seja pela desnutrição e seja pela apresentação de deficiências ou excessos, como por exemplo, peso corporal elevado, quadros de toxicidades etc.

Quais as principais consequências desse “desequilíbrio”?

Hipertensão arterial, alterações no colesterol, doenças cardiovasculares, diabetes, câncer, depressão, assim como uma maior predisposição a alergias. Outra consequência, mais comum nos dias atuais, é um quadro de excesso de peso na vida adulta em indivíduos que foram gerados em um meio de deficiência nutricional e/ou restrição alimentar. Essas pessoas parecem desenvolver um mecanismo de “defesa” ao período de insuficiência de energia alterando a produção normal de adipócitos (células de gordura) como uma forma de aumentar a capacidade de reservar energia, além de apresentarem uma maior tendência a ter um apetite aumentado desde os primeiros anos de vida.

Como deve ser o acompanhamento nutricional da gestante?

Além de considerar o estado nutricional prévio e atual da gestante, o nutricionista avalia seus hábitos alimentares, seu estilo de vida, os sinais/sintomas, os exames laboratoriais etc. Com base nessas informações, ele elabora um plano alimentar, que é readequado sempre que necessário, de acordo com as alterações e queixas apresentadas pela gestante ao longo do período. Outro fator observado é a Avaliação Antropométrica (peso, altura e medidas corporais), realizada em todas as consultas.

O que não pode faltar no prato da grávida?

Uma boa variedade de frutas, vegetais e hortaliças, sobretudo verde-escuros pela alta concentração de cálcio, ferro, magnésio e ácido fólico. A presença do feijão também é importante, pois é mais uma fonte ferro e ácido fólico. As fontes de proteína, especialmente as de origem animal como a carne bovina, o frango e o peixe são fundamentais para o desenvolvimento e o crescimento do bebê. Os carboidratos, preferencialmente os integrais, como pães, cereais, arroz e tubérculos (batata doce, mandioca, etc.) devem estar presentes em todas as refeições para manter os níveis de energia adequados ao longo do dia, mas de forma moderada para não favorecer o ganho de peso excessivo e levar ao desenvolvimento, por exemplo, de diabetes gestacional.

Quais são os principais erros cometidos pela gestante em relação a sua alimentação?

Podemos citar, de forma pontual, o consumo excessivo de açúcar acarretando uma hiperinsulinemia, que pode provocar o ganho de peso excessivo da mãe e do bebê. Esse peso excessivo aumenta o risco do diabetes gestacional e do bebê ter hipoglicemia nos primeiros dias de vida. E também aumenta a predisposição do bebê desenvolver diabetes mellitus na vida adulta. Outro erro é a mãe que quer reduzir o peso ou não aumentá-lo durante a gestação, prejudicando o crescimento e desenvolvimento do bebê.

Mantenha uma alimentação saudável

• Não permaneça mais do que três horas sem se alimentar.

• Tenha uma boa hidratação ao longo do dia.

• Evite alimentos crus ou mal passados.

• Higienize bem as frutas, as verduras e as hortaliças e consuma, preferencialmente, alimentos orgânicos.

• Evite consumir vísceras e miúdos.

• Não consuma “edulcorantes”, que são adoçantes listados nos rótulos de alguns alimentos, a não ser que seja gestante diabética e mesmo assim reduza drasticamente o consumo desses adoçantes, principalmente os que possuem aspartame.

• Controle o consumo de alimentos que contenham cafeína, como, por exemplo, café, chás (preto, mate, verde, branco, vermelho), guaraná em pó, chocolates etc.

• Reduza ao que for possível o consumo de alimentos industrializados.