Há idade certa para ter filhos?
Ser mãe aos 20, 30 ou 40? Com os avanços da medicina isso pode até se tornar uma opção, mas, mesmo assim, o relógio biológico da reprodução é implacável com a mulher. Ela nasce com um número de óvulos definido da puberdade à menopausa. O pico da fertilidade feminina ocorre entre os 20 e os 24 anos, diminuindo de forma mais lenta dos 30 aos 32, e rapidamente depois dos 40. Quer se planejar? Informe-se! A ginecologista e obstetra Dra. Caren Cupertino faz os alertas necessários sobre o assunto. Confira:

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Quando a mulher está pronta para ter filhos?

A gravidez implica vários fatores, sendo os principais físicos e psicológicos. A partir do momento que a mulher menstrua, seu organismo avisa que está pronto para engravidar. Apesar de a primeira menstruação poder ocorrer após os oito anos de idade e, em média, aos 12 anos, este momento não é o ideal para o restante do organismo, pois ainda deve haver o desenvolvimento da pelve, do útero e demais órgãos. Psicologicamente, a mulher não tem idade definida para estar pronta. Por isso, hoje em dia, a maternidade é deixada para mais tarde. Considera-se que a mulher está pronta para a maternidade quando externar o desejo de gerar.

Como funciona o relógio biológico da mulher em relação à reprodução?

A mulher nasce com a quantidade definida de folículos que geram os óvulos. Todos os meses, há um recrutamento folicular com desenvolvimento de, geralmente, um único óvulo e os demais folículos não são viáveis. Desse modo, com a idade, os óvulos vão sendo gastos e envelhecendo. A taxa de gravidez até os 30 anos é de 20% a 25% ao mês e a partir dos 35 anos é de 12% a 15% ao mês.

Há um pico de fertilidade da mulher? Quando ocorre?

A orientação, se possível, é engravidar antes dos 35 anos. Nesta época, a qualidade dos óvulos é melhor e a chance de sucesso é maior. É lógico que esta realidade é individual, pois muitas mulheres acima dos 35 anos não têm a menor dificuldade de engravidar.

Quais são os riscos de uma gravidez após os 40 anos?

Após os 40 anos, a chance de gravidez cai para 5% a 7% ao mês e a probabilidade de desenvolver doenças crônicas (diabetes, hipertensão) durante a gravidez aumenta. Se a paciente tiver um estilo de vida saudável, pode ter uma gravidez de baixo risco. Outro aspecto que preocupa a futura mãe nessa idade é a chance maior de o bebê apresentar doenças cromossômicas. Como o óvulo envelhece juntamente com o organismo, a chance, por exemplo, de Síndrome de Down, aumenta de um a cada 600 nascimentos aos 35 anos para um a cada 100 a partir dos 40 anos.

Muitas mulheres não apresentam problemas relativos à idade que a impeçam de engravidar e, no entanto, não conseguem a tão desejada gravidez. Quais atitudes elas devem tomar?

Após dois anos de tentativa de gravidez sem sucesso para mulheres com menos de 30 anos e um ano para as que têm mais de 30 anos, o ideal é procurar ajuda especializada. Muitas vezes, a mulher não tem problemas em exames de rotina, mas com investigação direcionada, o casal pode ser diagnosticado e tratado.

Existe idade ideal para engravidar?

Atualmente, não existe idade ideal para engravidar. O desejo supera as adversidades da idade. O ideal é se preparar para a gravidez e realizar um pré-natal criterioso. Aproveitar ao máximo este momento especial. Com as técnicas de reprodução assistida, a gravidez pode ocorrer até os 50 anos.

Ser mãe aos 20

A mulher de 20 anos, em geral, tem pensamentos em direções opostas ao bercinho do bebê. Sonha com a independência financeira. Casamento, se vier, só no futuro. Quando engravida, normalmente, é um susto. Mas, passado o choque inicial, ela deve correr atrás de informação.

Ser mãe aos 30

A mulher que se torna mãe aos 30 normalmente teve uma gravidez planejada. Ou, pelo menos, desejada. Ela está mais madura, economicamente estável e pode até ter formado a própria família. E, acima de tudo, vive o momento em que começa a pensar se quer ou não ter um filho.

Ser mãe aos 40

O filho da mulher de 40 anos vem com uma carga de ansiedade muito maior. É uma mãe marcada pelo conceito de saúde total. Ela sabe que tem poucas chances de ter outro bebê e, então, é muito preocupada com segurança, saúde e tem medo de correr riscos.