Gravidez e alimentação saudável
Como dever ser a alimentação da gestante? Ela precisa comer por dois? Todos os alimentos são liberados? Muitas são as dúvidas que invadem a mente da futura mamãe no quesito comer de forma saudável. É comum ouvir as mamães dizerem que sentem fome quase 24 horas por dia, afinal de contas, seu corpo está passando por uma série de transformações por causa das alterações metabólicas e hormonais. No entanto, alerta a nutricionista Flávia Ferazzo, é importante a gestante aprender a perceber a diferença entre “fome” (estado fisiológico que requer consumo de alimentos) e “vontade de comer” (satisfação de necessidades psicoemocionais).

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Diante disso, o acompanhamento nutricional é imprescindível durante este período, uma vez que o profissional estabelecerá as necessidades nutricionais individuais de cada mamãe, oferecendo qualidade e quantidade suficientes de nutrientes para a saúde materna e para o feto se desenvolver adequadamente. “A nutrição atua, através de uma dieta balanceada, no desenvolvimento correto do novo ser em formação, na saúde da futura mãe e na preparação para a lactação”, afirma a nutricionista. Agora, tire mais dúvidas sobre alimentação saudável durante a gravidez:

 

Qual a importância de uma alimentação balanceada durante a gestação?

A deficiência nutricional da gestante pode acarretar repercussões tanto no organismo materno, como no recém-nascido. É importante ressaltar que a fonte de nutrientes que o feto dispõe é o organismo materno, compreendendo-se isto, há necessidade de aumentar proporcionalmente os constituintes da dieta materna, controlar o ganho de peso materno e o crescimento fetal.

 

Durante a gestação, a mamãe sente vontade de comer mais. Ela realmente precisa comer mais que o normal?

Existe a velha ideia de que a gestante deve “comer por dois”. Hoje, sabe-se que isso não é verdade, pelo menos em relação à quantidade. As necessidades energéticas da gestante aumentam cerca de 300 kcal/dia a partir do 2º trimestre (4º mês de gestação ou 13ª semana). Muitas mulheres ultrapassam esse valor facilmente, ganhando peso excessivo durante os nove meses, causando varizes, estrias, problemas mais graves, como diabetes gestacional, hipertensão, sem falar na dificuldade em perder todo o peso após o nascimento do filho. Para o bebê, os prejuízos podem ser bem maiores, levando-se em conta os riscos de parto prematuro, dificuldades no parto, bebês muito grandes que desenvolvem hipoglicemia, entre outros.

A mamãe que engravidou estando acima do peso pode fazer dieta no início da gestação?

Espera-se um ganho de peso durante todo o período de 9 a 12 quilos, não havendo a possibilidade de se fazer dieta de emagrecimento no início de uma gestação, caso a mulher tenha engravidado estando acima do peso ideal. A dieta de redução de peso se faz com restrição de calorias, o que pode levar nutrientes em quantidades insuficientes para a formação do bebê. Não pode haver desnutrição intrauterina, o que pode levar à diminuição do nível de inteligência e outras sequelas, inclusive com atraso motor. A única coisa que se pode fazer é uma dieta que mantenha um ganho ponderal de até nove quilos até o final da gestação, permitindo que o bebê tenha aproximadamente três quilos ao nascer.

 

Gestante, você deve fugir de:

Carne crua: Não só de peixe, mas de outras origens, como carpaccio. A carne bovina crua pode ser portadora de agentes da toxoplasmose ou listeriose, doenças que podem causar desde desconforto intestinal a má-formação fetal, parto prematuro e aborto.

Leite não pasteurizado e queijos artesanais: Devem ser evitados porque podem carregar as mesmas bactérias;

Peixe cru: Além de trazer riscos de doenças como a salmonela e a hepatite A pode estar contaminado por mercúrio, mais comum em peixes como o cação;

Gordura saturada: Presente, principalmente, nas frituras, que tem valor nutricional baixíssimo e, em excesso, pode provocar úlceras estomacais;

Frutos do mar: São alimentos alergênicos e pelo organismo da grávida ser mais sensível, podem desencadear uma maior predisposição à gastroenterite;

Bebida alcoólica: Faz muito mal para a mãe e o bebê;

Condimentos como curry e pimenta: Tendem a provocar azia;

Refrigerante: O gás da bebida traz indisposição estomacal. É bom evitar a ingestão de líquidos durante as refeições;

Doces: Têm baixo valor nutricional e alta concentração calórica