Diabetes gestacional: tudo o que você precisa saber?
O Diabetes mellitus gestacional (DMG) é definido como qualquer grau de alteração da glicose que se inicia ou se reconhece durante a gestação. Ele costuma acontecer porque durante a gravidez ocorrem adaptações na produção hormonal materna para permitir o desenvolvimento do bebê. Há uma tendência à hiperglicemia para fornecimento adequado de glicose ao feto. O pâncreas materno, consequentemente, deveria aumentar a produção de insulina para compensar esse quadro de resistência à sua ação, porém, quando isso não ocorre, há o aparecimento do diabetes.

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Segundo as especialistas em endocrinologia e metabologia Dra. Josiane Detsch e Dra. Viviane Nakatani os principais fatores de risco são: história de diabetes em familiar de primeiro grau, obesidade ou ganho de peso excessivo na gestação, idade superior a 25 anos, síndrome dos ovários policísticos, gestação gemelar, histórico de mau passado obstétrico anterior e alterações na gestação atual (hipertensão arterial, excesso de líquido amniótico e bebê grande para a idade gestacional).

O diabetes gestacional é muito comum e não costuma causar sintomas. Por ser uma doença geralmente assintomática, indica-se o rastreamento de todas as gestantes com o teste de sobrecarga com 75g de glicose. Esse teste deve ser preferencialmente realizado entre 24 e 28 semanas de gestação. Os valores para diagnóstico são: glicemia de jejum acima de 92 mg/dl, 1h e 2h após a ingestão do açúcar valores acima de 180 mg/dl e 153mg/dl respectivamente. “Um valor alterado já é suficiente para o diagnóstico”, afirmam.

O DMG implica em um aumento no risco de complicações durante a gestação, tanto para a mãe como para o feto. A gestante com DMG não tratada tem maior risco de parto prematuro, feto macrossômico (bebês com mais de 4kg), além de maior incidência de pré-eclâmpsia e risco de diabetes tipo 2 (DM2) posterior à gestação. O bebê apresenta maior risco de hipoglicemia durante o nascimento, icterícia, distress respiratório, além do risco de sobrepeso e DM2 na vida adulta.

“É de suma importância o controle das glicemias durante a gestação. A grande maioria consegue bom controle das glicemias com dieta adequada e atividade física. Quando não se alcança o objetivo, o uso de insulina pode ser necessário”, orientam as endocrinologistas. Elas explicam que após 6 semanas do parto é indicada uma reavaliação com nova curva de glicose naquelas mulheres com DMG, para verificar a permanência ou o desaparecimento do diabetes. “O desenvolvimento do DM2 é prevenido com bons hábitos alimentares, atividade física e normalização do peso durante o período pós-parto”, completam.