Cuidados essenciais com as mamas
Existe uma série de cuidados com as mamas que as mulheres devem adotar antes mesmo de engravidar. A gestação é uma fase de intensas mudanças hormonais, que influenciam diretamente a mama, que continua passando por alterações após o parto, durante o período de amamentação. Saiba como cuidar dessa parte do corpo com todo o cuidado que ela merece, com as informações da mastologista Dra. Karimi Botelho Amaral:

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Quando a mulher deve ir pela primeira vez ao mastologista?

Os cuidados com a mama e sua correta avaliação devem se iniciar já a partir de vida sexual da mulher. O mastologista é o profissional especialista nas doenças da mama e sua prevenção, por isso, ele está mais apto para orientar e detectar lesões iniciais que possam passar despercebidas por outros especialistas. A consulta deve ser feita, no mínimo, uma vez ao ano, para realização dos exames de rotina compatíveis com a idade. As doenças da mama hoje acometem mulheres cada vez mais jovens, por isso a correta avaliação do especialista é fundamental. Vale lembrar que mesmo aquelas que não possuem vida sexual ativa devem seguir esses critérios.

Qual é a importância da mulher se consultar com o mastologista antes de engravidar?

Durante a gestação, a mulher passa por profundas alterações hormonais que influenciam diretamente a mama. No período que antecede a gestação, quando a mulher se prepara para engravidar, é fundamental avaliar as mamas e garantir que não há nesse momento a presença de nódulos ou outras lesões, garantindo, assim, uma gravidez tranquila e sem riscos para saúde da gestante.

É necessário fazer exame clínico das mamas durante o pré-natal?

No início do pré-natal deve ser realizada uma consulta com mastologista para avaliação das mamas, pelo exame físico, ultrassonografia mamária, orientações sobre as modificações da mama nesse período e preparo para aleitamento materno. Mesmo para as grávidas, é indicado continuar com os exames preventivos. No período de gestação, devido à alteração do tecido mamário, podem ocorrer formações de cistos, mastites, dentre outras coisas, que podem confundir o diagnóstico do câncer de mama. Os nódulos mamários não palpáveis só são identificados através de exames de imagem e devem ser acompanhados nesse período com minuciosa avaliação do especialista.

Como a gestante pode preparar as mamas para a amamentação?

A preparação das mamas deve acontecer ainda durante a gestação. É nessa fase que as mamães de primeira viagem devem começar a aprender tudo o que envolve o aleitamento. Eu sempre faço orientações individualizadas, porque o que funciona para uma paciente pode não funcionar para outra. Preparar as mamas corretamente depende de diversos fatores, como a rotina na mãe, tipo de alimentação, formato dos mamilos, tipo de pele, relato de cirurgias prévias. O formato do mamilo é a maior preocupação das mães, apesar de não ser o fator fundamental para amamentação com êxito.

Como o formato do mamilo influencia na amamentação do bebê?

Em torno de 10% das mulheres apresentam o mamilo plano ou invertido. No primeiro caso, ele não se sobressai da aréola. E o invertido encontra-se virado para dentro, como se fosse o umbigo. Existe ainda o pseudoinvertido, ou seja, parece invertido, mas se projeta para fora ao ser estimulado (com o toque ou o frio, por exemplo). Os tipos plano ou invertido podem apresentar alguma dificuldade para a mãe amamentar, já que o mamilo, ao tocar o céu da boca do bebê, facilita a sucção. Mas ainda assim eles não são um limitador, desde que a criança aprenda a fazer a pega corretamente. Existem alguns acessórios, como conchas preparatórias e corretores de mamilo, ou exercícios para facilitar que o bico do seio se forme. O mastologista deve julgar qual a melhor forma de preparar suas mamas para lactação.

Quais cuidados se deve ter durante o período de aleitamento, para preservar a saúde mamária?

O principal cuidado na amamentação deve ser identificar cedo sinais de inflamação da mama (mastite), para que o tratamento seja iniciado o mais precoce possível, assim evitamos que processos mais avançados de inflamação e infecção da mama aconteçam, o que pode destruir o tecido mamário e deixar cicatrizes internas e dores na mama. Por isso, durante a amamentação, sinais como caroço, vermelhidão, dor local e aumento de temperatura são alertas para que se procure o mastologista o mais breve possível.

A amamentação ajuda a prevenir o câncer de mama?

As mulheres que amamentam por mais de seis meses têm menos chances de desenvolver a doença, devido à substituição de tecido glandular por gordura nas mamas. Mesmo aquelas que desenvolvem o câncer de mama, se amamentaram por mais de um ano, têm chance de desenvolver um tipo de câncer menos agressivo, com melhor prognóstico. Porém, trata-se de uma proteção relativa, que deve estar sempre associada a outros hábitos de vida saudável, como não fumar, ter uma boa alimentação, praticar atividades físicas, manter-se com peso adequado e evitar o consumo de bebidas alcoólicas.

Quais são os benefícios do aleitamento materno?

A amamentação fortalece o vínculo mãe/filho, fazendo com que desenvolvam uma relação de amor e confiança. A criança, por sua vez, torna-se mais tranquila e mais segura. E esse vínculo entre mãe e filho facilita o desenvolvimento da criança e seu relacionamento com outras pessoas. O ato de sucção do bebê aliviará a mãe do desconforto dos seios cheios e pesados, e promove no organismo da mãe a secreção de um hormônio chamado prolactina, que é responsável pela produção de leite e, também, pela inibição da ovulação, o que pode até servir como um método anticoncepcional, retardando o risco de uma nova gravidez. A amamentação reduz riscos de câncer de mama, ovário e útero e protege a mulher contra osteoporose.