Como prevenir e tratar a incontinência urinária na gestação e no pós-parto

O período gestacional traz uma série de modificações no corpo da futura mamãe causadas por alterações hormonais que levam à diminuição do tônus dos músculos do assoalho pélvico (MAP) que, por sua vez, recebem mais tensão e rebaixam o períneo (local entre a vagina e o ânus), o que pode provocar incontinência urinária (IU) na gravidez, conforme explica a fisioterapeuta Dra. Ana Paula Massuda.

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Outra mudança que ocorre neste período, segundo a especialista, é a distensão da musculatura abdominal devido ao aumento da barriga em função do crescimento do bebê. Estas alterações ocasionam hiperlordose lombar, que é agravada com  o ganho de peso, levando a um aumento da pressão intrapélvica, o que pode ocasionar ainda perdas urinárias.

O problema também pode se instalar no pós--parto, momento de grande fragilidade dos MAP, uma vez que o efeito hormonal permanece após o mesmo. Além disso, durante o parto vaginal pode ocorrer estiramento e ruptura das fibras musculares do períneo, deslocando a bexiga e a uretra de suas posições normais, causando a IU.

Para a prevenção e tratamento da IU na gestação e no pós-parto, a fisioterapia pélvica tem alternativas. “Trata-se de uma modalidade de tratamento conservador que consiste na reeducação dos MAP para melhorar a contração muscular, coordenar a atividade abdominal e promover o rearranjo estático lombopélvico utilizando-se de vários recursos que promovem o fortalecimento dos músculos necessários para manter a continência urinária”, informa a Dra. Ana Paula. Ele pode ser feito usando diferentes recursos:

Eletromiógrafo de superfície (Biofeedback): é utilizado para medir a atividade elétrica do músculo em repouso ou durante a contração muscular.

Eletroestimulação: é a modalidade de tratamento conservador que usa corrente elétrica terapêutica. Vale ressaltar que esta modalidade não é utilizada no período gestacional, pois não se sabe seus efeitos sobre o bebê.

Cinesioterapia: utiliza exercícios de contração perineal isolada, exercícios globais, bola terapêutica, técnicas respiratórias, de reeducação postural e hipopressivas.

A adesão ao programa de treinamento dos MAP na gestação e no pós-parto garante à mulher o retorno breve às suas atividades diárias,  incluindo as de prática esportiva. “Além dos benefícios acima citados, o treinamento dos MAP provoca aumento da força muscular e sensibilidade do clitóris, auxilia na excitação e no orgasmo, além de melhorar o fluxo sanguíneo e a mobilidade pélvica”, acrescenta a especialista.