“Bexiga caída”: prevenção, causas e tratamento
Gestações sucessivas e partos múltiplos são as principais causas do prolapso genital, popularmente conhecido como “bexiga caída”, que ocorre quando as estruturas pélvicas (bexiga, útero, paredes vaginais) perdem sua posição anatômica dentro da pelve óssea. Segundo a ginecologista especialista em uroginecologia, Dra. Daniela Busato, obesidade, envelhecimento, alterações hormonais e certas doenças musculares, neurológicas e genéticas também estão entre as causas dessa doença, que compromete o desempenho físico, social, no trabalho e a sexualidade, afetando a qualidade de vida das pacientes. Saiba como identificar, prevenir e tratar o problema na entrevista a seguir com a Dra. Daniela:

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Quais são os sintomas do prolapso dos órgãos pélvicos?

Desconforto (como sensação de bola na vagina ou peso em baixo ventre); dor (por vezes durante as relações sexuais); obstipação intestinal (dificuldade de evacuação), necessidade de pressionar a vagina com a mão para completar a evacuação; sintomas urinários, como aumento de frequência urinária, sensação de esvaziamento incompleto, urgência miccional, ou dificuldade de iniciar a micção, jato urinário fraco, incontinência urinária (perda de urina).

Como prevenir?

O que muitas mulheres não sabem é que alguns cuidados podem ser tomados desde cedo para evitar estas doenças. O aumento da pressão abdominal durante um esforço tem lugar de destaque na causa de prolapso genital. Alguns exemplos: aumento do peso corporal, partos vaginais (tamanho do feto), esforço repetitivo como tosse crônica e obstipação intestinal. Outros fatores são o envelhecimento, história familiar de prolapso, doenças do tecido conjuntivo e alteração no metabolismo do colágeno. Portanto: evite ganho de peso excessivo; trate doenças que desencadeiam tosse crônica, como bronquite e refluxo gastroesofágico; reforce a musculatura pélvica por meio de fisioterapia, pilates, yoga, evite atividade física de impacto e com sobrecarga de peso; busque adequada assistência durante o trabalho de parto e; durante o parto normal, prepare o períneo para o trabalho de parto durante a gestação.

Mais especificamente, durante a gestação, como prevenir o prolapso dos órgãos pélvicos?

Através de exercícios físicos tendo como objetivos o desenvolvimento da consciência perineal; o aumento da flexibilidade do períneo; o aumento da força muscular e promoção do relaxamento dos músculos, facilitando o momento do parto; evitar o ganho de peso excessivo, estimular boa postura e prevenir alterações na coluna vertebral.

Quais os tratamentos para o prolapso genital?

Quando o prolapso já está instalado e há sintomas com alteração na qualidade de vida das pacientes, devemos buscar alternativas de tratamento para o prolapso genital. São elas: o tratamento cirúrgico (colpoperineoplastia, cirurgias com ou sem próteses sintéticas para correção de cada compartimento da vagina) ou tratamento conservador com o uso de pessários, os quais têm papel fundamental no tratamento conservador dos prolapsos dos órgãos pélvicos, já que muitas pacientes somente procuram tratamento em idade avançada, por vezes já com patologias associadas que aumentam o risco para um procedimento cirúrgico.

O que são os pessários?

São dispositivos, em geral em formato de anel ou donut, colocados dentro da vagina que reposicionam os órgãos pélvicos, de modo a restabelecer a posição anatômica destes, diminuindo ou eliminando os sintomas desagradáveis. A vantagem é que todo o manejo é feito dentro do consultório: medida, colocação do pessário e treino dos cuidados, até que a paciente se sinta confiante em fazer os cuidados em casa. E a melhora dos sintomas, em geral, já se inicia imediatamente após a colocação do mesmo.

E como funciona o tratamento cirúrgico?

A correção cirúrgica dos defeitos do assoalho pélvico é também uma opção muito procurada. Sua técnica varia conforme o tipo e o grau do prolapso, idade da paciente, entre outros fatores. Com o tratamento cirúrgico corrige-se as alterações de anatomia, com melhora dos sintomas no trato urinário, intestinal e sexual, assim como melhora da autoestima, relacionamento interpessoal e retomada de atividades cotidianas, muitas vezes colocadas de lado anteriormente, em função do desconforto que a doença causava.