As emoções na gravidez e no pós-parto
Associada ao bem-estar, plenitude e desenvolvimento do amor instantâneo com o bebê, a gravidez também pode ter seu lado apreensivo, cheio de medos, provocando sentimentos de frustração, culpa, incapacidade e tristeza, devido às alterações hormonais que contribuem para as mudanças emocionais, de humor e do comportamento da grávida. Por sua vez, isso pode gerar dificuldade na mulher em lidar com essa nova vida.

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Ciclo gravídico-puerperal

 

A psicanalista Dra. Suely Pereira de Faria explica que no ciclo gravídico-puerperal, contrariamente ao que se acredita, a mulher enfrenta resistências em entrar em seu recesso íntimo. “Isso tem uma lógica, pois a expectativa de mudanças em seu cotidiano pessoal, profissional e social provoca angústia. A atenção, o toque e a escuta são essenciais para que essa mulher possa conciliar suas atividades de vida diária e suas fantasias”, avalia.

 

Assim, alterações psicológicas podem acontecer com maior probabilidade no ciclo da gestação e do pós-parto e, por isso, é tão importante para a mamãe a atenção a sua disposição e o interesse nos cuidados consigo e com o bebê. O cuidado de sua saúde mental promove a qualidade de vida e de seus relacionamentos.

 

Por exemplo, mais da metade das mamães após o parto, entre o segundo e quarto dia, sentem-se mais sensíveis e cansadas, com uma tristeza sem motivo, choro fácil, irritabilidade e um sentimento de incapacidade de cuidar do filho. Trata-se do Baby Blues, distúrbio caracterizado como uma depressão leve, que pode durar poucos dias ou até cinco semanas.

 

depressão pós-parto

 

Já a depressão pós-parto inicia-se até o sexto mês após o parto e com sintomas mais severos. A tristeza é grande e de caráter prolongado, há sentimento de culpa, baixa autoestima e perda de sentido para a vida. “A mulher se acha desvitalizada e impotente diante dos cuidados físicos e emocionais consigo e com seu bebê, afetando tanto sua vida íntima quanto social. Em casos mais graves, comportamentos autopunitivos, abandono do bebê ou mesmo maus tratos que trazem tantos prejuízos as famílias”, esclarece a Dra. Suely.

 

Para prevenir essas situações e ajudar a gestante a lidar melhor com suas emoções, tão importante quanto o pré-natal com o ginecologista é o acompanhamento psicológico durante a gravidez. “O ciclo que se inicia na gravidez e se estende ao puerpério insere a mulher e as pessoas significativas de sua convivência em expectativas, sonhos e a experiência ímpar de renovação da vida. O pré-natal psicológico objetiva identificar e intervir psicoterapeuticamente o mais cedo possível sobre as alterações emocionais e comportamentais inerentes a este ciclo”, afirma a especialista.