Alimentação e exercício físico na gestação
Após a grande notícia de uma gravidez, surgem as dúvidas sobre como preservar o condicionamento físico e uma nutrição adequada que assegure a saúde da mãe e o bom desenvolvimento do bebê. “A alimentação adequada e exercícios físicos proporcionam múltiplos benefícios à gestante e ao feto, mas devem ser bem recomendados, garantindo segurança na gestação. Se por um lado o aumento de peso abaixo das metas associa-se com prejuízo do crescimento fetal, por outro, o ganho ponderal excessivo está relacionado à riscos tanto para a mãe (doença hipertensiva da gestação e diabetes gestacional) quanto para o feto (complicações de parto, alterações de crescimento fetal, defeitos do tubo neural, propensão à obesidade na vida adulta)”, explica o nutrólogo Dr. Eduardo Poloni Silveira.

Publicidade

Alimentação

Segundo o Dr. Eduardo, para gestantes de peso normal e com alimentação pré-gestacional adequada, não há necessidade de aumento expressivo da ingestão calórica nesse período. O aumento estimado no primeiro trimestre é de apenas 0,5 a 2 kg. No 2º trimestre, recomenda-se um acréscimo em torno de 340 a 360 kcal/dia e no 3º trimestre adiciona-se ainda aproximadamente 100 kcal/dia. Essas recomendações devem ser analisadas e ajustadas de acordo com as metas de ganho de peso total na gestação, salientando-se que a gestação múltipla demanda avaliação por outros parâmetros. “É importante lembrar que aumentos transitórios fora do esperado podem simplesmente indicar variação de líquido corporal, como edema, por exemplo”.

As regras para uma alimentação saudável e equilibrada valem muito nesse período. “Recomenda-se ingerir por volta de 3 litros de água ao dia, assim como grande variedade de legumes e vegetais cuidadosamente limpos e de boa procedência. Além de representarem boas fontes de vitaminas e minerais, as fibras neles contidas contribuem para a melhora da constipação. As frutas devem ser consumidas preferencialmente com casca, desde que lavadas adequadamente, para também reforçar a ingestão diária de fibras”, ensina.

Carboidratos devem ser utilizados de maneira equilibrada, com preferência pelos integrais e de baixo índice glicêmico (evitam-se farinhas brancas, massas e doces) devido às alterações de glicose nesse período e eventual posssibilidade de desenvolver diabetes gestacional, informa o Dr. Eduardo. Gestante com hábito de restringir carboidratos deve readequar sua conduta. Boas fontes de gorduras, como as insaturadas (azeite, abacate, castanhas, etc.), devem ser utilizadas, porém moderação sobretudo no 1º trimestre, quando ocorrem náuseas ou vômitos recorrentes, pois estas podem deixar o processo digestivo um pouco mais lento.

A ingestão de proteínas assume papel mais importante na 2ª metade da gestação, com a recomendação de consumo em torno de 70g/dia. “Em casos de gestante com estado nutricional inadequado, a suplementação protéica pode diminuir os riscos de feto pequeno para idade gestacional (PIG), porém esses geralmente não são necessários. É recomendado evitar suplementos alimentares, salvo em casos com indicação específica e com orientação especializada”, alerta.

Exercícios físicos

Exercícios físicos devem ser executados com segurança e eficiência nesse período. Indica-se sempre uma avaliação médica antes de iniciar qualquer atividade física. “Anemia severa; arritmia materna não avaliada; bronquite crônica; diabetes tipo I sem controle; obesidade mórbida; baixo peso extremo; hipertensão mal controlada; déficit de crescimento intrauterino são algumas contraindicações relativas (pode-se liberar com ressalvas) ao exercício na gravidez. Já as contraindicações absolutas são: doença cardíacas hemodinamicamente significativa; doença pulmonar restritiva; gestação múltipla com risco de parto prematuro; sangramento persistente; trabalho de parto prematuro; pré-eclâmpsia; e hipertensão gestacional. Sempre consulte seu obstetra para tirar dúvidas e avaliar algum possível risco”, esclarece.

É recomendado que a gestante se exercite de 3 a 4 dias por semana. Em geral, treinos aeróbicos de baixo impacto (caminhadas, elíptico, hidroginástica, etc.) e treinos resistidos (treino funcional, musculação, pilates) são liberados e, até mesmo estimulados, tendo em vista seus benefícios. Evitam-se sobretudo: atividades de intensidade superior ao condicionamento habitual da gestante; exercícios de alto impacto; atividades que possam causar perda de equilíbrio ou trauma à mãe e ao feto; e exercícios com contrações isométricas sustentadas.

Na gestação o corpo muda significativamente e sempre há o receio de não conseguir perder após o parto os quilos adquiridos. Entretanto, no pós-parto há uma perda de peso em ritmo acelerado nos três primeiros meses, seguida de uma fase mais lenta em até 6 meses. Segundo a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, o exercício pode ser liberado em torno de 30 dias após o parto normal e 45 dias após a cesariana. A amamentação pode gerar um gasto calórico de 300 a 500 kcal/dia, contribuindo para o processo. “Se as metas de alimentação e exercício forem atingidas, a tendência geral é o retorno ao peso habitual de maneira espontânea”.

Monitorando a evolução de peso e preservando bons hábitos, inúmeros benefícios à saúde materna e fetal são garantidos, permitindo que as mudanças corporais da gravidez aconteçam de maneira natural. “Essa é uma fase muito diferente e bonita na vida de uma mulher, viva e aproveite cada minuto, procurando manter um estilo de vida saudável durante e após esse período”, finaliza.