Educação na medida certa
Quando o assunto é a educação das crianças, os pais fazem malabarismo para buscar a melhor forma de ensinar e fazer com que seus filhos tenham a capacidade de pensar, sentir e agir sozinhos. Em todos os contextos (social, educacional, familiar e afetivo), as crianças devem estar preparadas para enfrentar os erros e acertos como um aprendizado. Para isso, o total apoio dos pais é decisivo para o desenvolvimento de três importantes sentimentos relacionados a maturidade e a felicidade: autoestima, autoconfiança, e responsabilidade. A psicóloga Sandra Férrer esclarece ao Manual da Mamãe os principais pontos sobre cada um desses anseios, pois pais que sabem gerenciar os passos dos filhos com segurança, criam adultos que enfrentam as consequências dos próprios atos, superam obstáculos e desenvolvem a consciência de um respeito mútuo. Confira:

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Como é formada a auto-estima?

A auto-estima é aprendida ao longo da infância, com base na educação e no tratamento recebido pelos pais, amigos e professores nos mais diversos contextos sociais. É importante ressaltar que a auto-estima desenvolve-se quando os pais tem como prioridade os filhos e não seus comportamentos. Possuir o reconhecimento dessas pessoas torna a criança mais apta a superar obstáculos e desafios do cotidiano, o medo de errar, a falta de confiança na própria capacidade, etc. Um exemplo de interação entre pais e filhos que aumenta a auto-estima pode ser notada neste exemplo: A mãe separa o maior pastel para João; compra chocolates para todos, mais um "meio amargo" para o Paulo, o único que gosta desse tipo. Ao tratar diferentemente cada filho, ela destaca que o amor por todos é incondicional.

 

Em  que consiste a autoconfiança?

É um sentimento aprendido e produzido por uma história de reforçamento positivo e negativo, com consequências naturais, sem a interferência do outro, ou sociais, produzidas pelo outro. Ao contrário da auto-estima,  a confiança desenvolve-se quando os pais têm como prioridade os comportamentos do filho e não a criança em pessoa. Pais que permitem que os filhos expressem suas opiniões e desejos estimulam a capacidade de decidir com confiança, de encarar novos desafios, e principalmente, de acreditar em si próprio, mesmo em situações de risco e pressão. Uma educação super-protetora pode resultar em filhos inseguros. Seguem exemplos de que enfraquecem a confiança ou pune o comportamento dos filhos:

"Canso de lhe dizer que precisa melhorar sua letra. Será que não entende minha língua?" Pai pune o comportamento de escrever do filho.

Outro exemplo:  Minha mãe disse que tenho um rosto lindo, que é uma pena eu não fazer regime. Se você fosse feia eu nem pensaria no corpo, ela completou. Eu entendi onde ela queria chegar".  A filha discriminou que a mãe não estava elogiando seu rosto, mas estava preocupada em controlar seus hábitos alimentares. A filha se sentiu agredida pela mãe.

Como podemos definir o que é responsabilidade?

Responsabilidade é um sentimento também aprendido e desenvolvido ao longo da vida da pessoa, produzido por contingências de reforçamento coercitivas amenas e sempre que possível, deve ser associado a contingências reforçadas positivas. Deve ser um sentimento devolvido com comportamentos que beneficiam o filho e as pessoas relevantes do contexto social que o cerca.

 

Confira se você está ajudando a desenvolver a auto-estima, autoconfiança e responsabilidade do seu filho:

•Eu tive tempo para conversar, ensinar e fazer algumas atividades com meu filho sem pressa?

•Eu dei dei alguma demonstração clara de atenção, carinho e amor?

• Eu valorizei alguma coisa que ele fez, sem especificar critérios de qualidade ou nível de desempenho?

• Eu revi ações ou comentários meus, considerados excessivos, a partir de deixas fornecidas pela família?

•Eu lhe presenteei com algo que gosta - uma bala, uma figurinha, uma flor - simplesmente por que me lembrei dele e não pelo que ele fez?

• Eu lhe impus alguns limites que considerei necessários?

• Eu lhe disse algum não ou sim? E expliquei o porquê da resposta?

•Eu criei condições para meu filho explorar alguma situação ou ambiente diferente e obter aí reforçadores positivos naturais (levei-o a um parque, a uma fazenda, a um passeio de bicicleta)?

• Eu dei algum tipo de ajuda física ou verbal, de modo a tornar mais provável a ocorrência bem sucedida de um comportamento do meu filho?

•Eu critiquei ou de alguma puni  comportamentos do meu filho?

•Eu menti ou minimizei informações sobre as possíveis consequências aversivas de um comportamento (injeção não dói, o cavalo é manso, o cachorro não morde) etc.

• Eu o acompanhei em situações que ele poderia e deveria enfrentar sozinho?