Dificuldade de aprendizagem
Os pais que notarem que o filho anda sem confiança e motivação na escola e está relutante com suas tarefas escolares devem atentar-se para uma problema importante: as dificuldades de aprendizagem. Segundo a psicóloga e pedagoga Dra. Adriane Cruvinel elas são fruto de falha na mediação com o ambiente, na relação entre o ensinante e o aprendiz, ou de algum transtorno. Portanto, é preciso investigar a causa para submeter a criança ao tratamento mais adequado. Entenda o problema e saiba como agir:

Como se caracterizam as dificuldades de aprendizagem?

Falta de confiança e motivação, resultando em impulsividade e mau desempenho. Nota-se quando o aluno passa a ficar tão preocupado com a percepção de capacidade superior dos professores e dos outros alunos, que se torna relutante em tentar ou perseverar nas tarefas. Uma percepção imprecisa e ineficiente, habilidade de audição inadequada, má compreensão da linguagem e dos conceitos de tempo, espaço, quantidade, assim como falta de habilidade para coletar e examinar outras fontes de informação também são observados. Há ainda dificuldades de comparar, integrar, formular hipóteses e trabalhar de forma lógica no problema. Falta de planejamento, elaboração deficiente de estratégias cognitivas, de internalização, inabilidade para selecionar dados relevantes, campo mental estreito e limitado, falta de comportamento comparativo espontâneo fecham o quadro de dificuldades de aprendizagem.

O que pode provocar as dificuldades?

Quando uma criança não interage efetivamente com o ambiente havendo uma mediação inadequada entre o ensinante e o aprendiz, a falha está na interação entre ambos, e não apenas em um ou no outro. Isso acontece por transmissão de conhecimento fragmentado e compartimentado, ou seja, não dar ao filho explicação para as ações e não estabelecer nenhuma conexão entre os eventos. De outro lado, os sistemas educacionais que são competitivos e orientados para produtos frequentemente dão mais atenção aos erros do que aos passos dados em direção ao sucesso. Também há dificuldades de aprendizagem causadas por algum transtorno.

Como é feito o diagnóstico?

É necessária a atuação de uma equipe multiprofissional, ou seja, participação dos pais, da escola, médicos e avaliação neuropsicológica. É importante que o profissional tenha conhecimento clínico e que possa valer-se de outros recursos como escalas e testes psicológicos e neuropsicológicos.

Explique o que é neuropsicologia e qual a relação dela com o diagnóstico e tratamento das dificuldades de aprendizagem.

A neuropsicologia consiste na investigação por meio de testes quantitativos e qualitativos padronizados e validados das bases neurológicas de funções psíquicas e comportamentais. Tais como: a atenção, a memória, o planejamento motor e o raciocínio lógico e abstrato, objetivando delimitar quais as estratégias terapêuticas e a reabilitação mais efetiva. Detectar múltiplas variáveis neurológicas, psicomotoras, comportamentais e ambientais envolvidas com a aprendizagem, como propor para familiares e professores, as melhores estratégias para intervenção e reabilitação nos transtornos do neurodesenvolvimento.

Como lidar com crianças com dificuldades de aprendizagem?

Deve ser feito um trabalho psicoeducativo com os familiares. O acompanhamento psicológico tem que ter como objetivo desenvolver e aprimorar a capacidade de cognição e raciocínio da criança, por meio de atividades que estimulem sua motivação para resolução de problemas, oferecendo recursos de dificuldade graduada e promovendo desafios que sejam estimulantes.

Como se dá o tratamento das dificuldades de aprendizagem?

Acompanhando a evolução de modo multidisciplinar, com base na terapia comportamental cognitivo, ensinando ou desenvolvendo no paciente habilidades cognitivas e competências. A parceria com a família e a escola é muito importante. É preciso ensinar a criança a pensar sobre sua própria forma de pensar (metacognição) e sobre seu comportamento, assim como escolher respostas apropriadas a um estímulo ou situação particular. Quando dizemos à criança como ela deve responder e estruturamos suas reações numa situação, reduzimos suas chances de autonomia e automonitoramento. No consultório, o trabalho deve ser de levar a criança a focalizar formas de controlar sua impulsividade, de autorregulação, pensar antes de fazer e engajá-la na metacognição. Por isso, é necessário que se faça um estudo do que está impedindo a criança de atingir essa meta. Podem ser várias coisas, como ansiedade, técnicas pedagógicas erradas, transtornos ou dinâmica familiar inadequada.

Qual deve ser a participação de pais e escola nesse momento?

Os pais e a escola devem acreditar na capacidade da criança de assumir o controle e a responsabilidade por si mesma, permitindo a sua individuação e a sua autoexpressão. O mediador compartilha ideias, sentimentos, sucessos e fracassos, encorajando o mediado a fazer o mesmo. O mediador deve ajudá-lo a desenvolver a capacidade de adiar a recompensa e a ter controle em alcançar objetivos pela compreensão dos processos envolvidos, atingindo uma aprendizagem positiva.