Birra, como lidar?
Seu filho grita, esperneia com frequência? A psicóloga e gestalt-terapeuta Dra. Érika Teixeira explica que durante o episódio de birra, a criança age de maneira desafiadora, desobediente, provocativa, com atos agressivos e hostis, discrepante com a faixa normal de conduta de crianças com a mesma idade. “Também demonstram intolerância à frustração, ignoram regras e pedidos. Não costumam ser cooperativas ou gentis, apresentando um padrão rígido, repetitivo e pouco saudável para atender suas necessidades de comer, de brincar, de estudar, de afeto, entre outros”, analisa.

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A birra é muito comum em crianças menores, até três anos, e tende a desaparecer com o bom desenvolvimento cognitivo e emocional da criança. Se os sintomas não desaparecerem com tempo, é necessário buscar ajuda de um profissional. “A psicóloga pode ajudar a família e a criança a reconfigurar e encontrar novas formas de se relacionar para que o relacionamento seja mais saudável”, observa a Dra. Érika.

Ela esclarece ainda que o objetivo do acompanhamento psicológico não é apenas remover os sintomas indesejáveis da birra, mas em especial ajudar a criança a descobrir outras maneiras de suprir suas necessidades, evitando, assim, novos sintomas que podem ser tanto de ordem física: dor de cabeça, estômago, alteração no sono, entre outros, bem como de ordem emocional: choro sem sentido aparente, fobias, rigidez, etc. “A atenção a esses sintomas pode evitar, inclusive, problemas relacionados a aprendizagem da criança.

Portanto, observe seu filho, procure ajuda especializada e não deixe que o problema se agrave”, aconselha. A Dra. Érika afirma ainda que é importante ajudar a criança a encontrar novas formas de funcionamento, auxiliando-a a lidar com os sentimentos de raiva e frustração e também a valorizar seus aspectos positivos. “Assim, o acompanhamento psicológico da criança junto com a família pode diminuir a chance de comportamentos antissociais na adolescência”, alerta.

Conselho da psicóloga

“É tarefa dos pais acolher, afagar, satisfazer as necessidades da criança e não as suas próprias. É importante estimulá-la de acordo com seu ritmo de desenvolvimento, bem como educar. Isso implica sintonia na hora de estabelecer regras. Não oscile: NÃO é NÃO! SIM é SIM! Pai não desautoriza mãe e vice-versa. Caso não concordem, conversem reservadamente, longe dos filhos. É o adulto que ensina a criança as primeiras noções de limite. Frustrar seu filho quando necessário faz parte do processo de crescimento, afinal não se pode tudo!”