Aprendizagem infantil
Modificações físicas e psicológicas caracterizam o crescimento e desenvolvimento neuropiscicomotor infantil e, pelo menos, até os sete anos, as crianças precisam ser acompanhadas de perto pelos pais. Cada uma tem seu próprio ritmo de desenvolvimento, que pode ser influenciado por fatores hereditários, pelo ambiente e, principalmente, pelos estímulos que recebe. Desta forma, o desenvolvimento da criança inclui diversas áreas dos conhecimentos, como a pediatria, neurologia, psicologia, pedagogia, entre outras. Foi pensando nisso que entrevistamos a equipe multidisciplinar de pesquisa em desenvolvimento infantojuvenil comandada pelo neuropediatra Dr. Carlos Nogueira Aucélio. Eles chamam a atenção para o aspecto emocional da criança.

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O que é o desenvolvimento neuropsicomotor da criança?

Dr. Carlos Aucélio: É o desenvolvimento cerebral, que engloba uma série de aquisições motoras e mentais, respeitando a faixa etária, em que novas habilidades e comportamentos surgem através da interação da criança com o meio em que vive. A sequência destas habilidades varia de criança para criança. Todo este conjunto de transformações que o organismo sofre, bem como a velocidade em que se processam, é, em sua maioria, determinado geneticamente. Entretanto, a sua expressão, ou seja, as características do indivíduo, será resultante da atualização deste potencial hereditário, com os fatores ambientais, sociais e afetivos.

Qual a importância dos pais acompanharem seus filhos nesta fase do desenvolvimento?

Dr. Carlos Aucélio: Os pais devem participar ativamente da vida de seus filhos estimulando-os de maneira correta, para que eles possam desenvolver ao máximo seus potenciais. Esses estímulos interferem de forma positiva no desenvolvimento da emoção, do sistema nervoso, e refletem em diversas áreas do comportamento do bebê e da criança.

Como é o desenvolvimento da linguagem?

Dra. Zenilda Almeida: A linguagem é considerada a primeira forma de socialização da criança, por isso sua aquisição representa a interação entre todos os aspectos do desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social. À medida que amadurecem as estruturas cerebrais necessárias à produção de sons, a discriminação auditiva ao controle fonatório da fala, há maior complexidade na associação de significados e contextos que facilitam tanto a forma, a interação, como a comunicação social da criança com os pais, outros adultos, outras crianças e com ela mesma.

A partir de que idade começa o desenvolvimento da linguagem?

Dra. Zenilda Almeida: Por volta do final do primeiro ano de vida as crianças emitem as suas primeiras palavras e cerca de oito meses a um ano mais tarde, começam a falar utilizando frases. Por volta dos três anos, apesar de ainda apresentarem omissões e substituições de sons verbais, sua fala pode ser entendida por pessoas que não convivem com ela, já que o discurso é fluente, mais extenso e complexo. Aos quatro anos podem narrar histórias conhecidas sem a ajuda de outra pessoa. Aos cinco e seis anos praticamente usam a linguagem oral como um adulto.

Como é o desenvolvimento emocional da criança?

Dra. Maria José: Até os sete anos, as crianças adquirem conhecimento brincando no convívio com o outro. Precisam de experiências afetivas com as quais irão aprender a se relacionar com o mundo, pessoas e coisas, pois é o desenvolvimento emocional que impulsiona o intelectual. Enquanto cresce e se desenvolve, a criança precisa se sentir amada, desejada, elogiada, ajudada para crescer emocionalmente saudável.

Qual a importância dos pais para o desenvolvimento emocional da criança?

Dra. Maria José: Os pais são muito importantes neste desenvolvimento. Eles devem demonstrar seu amor através de gestos, dedicação e não apenas de palavras; ensinando normas, impondo limites cientes de que uma criança age movida por suas necessidades, medos e aflições. Ela deve ser entendida, acalmada, amparada, até que o tempo a ajude a amadurecer e a fazer suas escolhas.

Qual a contribuição da escola para o desenvolvimento da criança?

Adriana Dutra: O papel da escola enquanto instituição de ensino e de ações educativas intencionais é colaborar para o desenvolvimento bio-psicossocial da criança. É na relação estabelecida entre os profissionais da educação, a criança e a família que se estreitam discussões e aprendizagens sobre o mundo físico e social. Além disso, a continuidade da construção de valores já iniciada no seio familiar, bem como o oferecimento de um ambiente estimulador, formam o tripé que sustenta a ação da escola no desenvolvimento global da criança.