6 dúvidas sobre a aprendizagem infantil
O nascimento de um filho traz muitas alegrias, mas também muitas mudanças na rotina da família, gerando novas expectativas e questionamentos sobre o seu crescimento. Mas, de repente, já é hora de a mamãe voltar ao trabalho e, então, com quem deixar a criança? O berçário ou a escolinha são opções muito comuns, pois já inicia o processo de aprendizagem escolar do seu filho. E as primeiras dúvidas sobre isso já surgem: “Qual a melhor escola?” “E os profissionais, são pessoas preparadas para tomar conta, acolher e dar a atenção e os estímulos necessários para o desenvolvimento do nosso filho?” “Como é o processo de aprendizagem?” “A criança responderá bem a isso?” “E se ela tiver dificuldades de aprendizagem, como ajudá-la?” Quem nos auxilia com algumas respostas e consistentes colocações sobre o tema é a especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica Ana Maria Munhoz Fett, que também é mestre em Psicologia do Desenvolvimento Humano e Processos de Ensino e Aprendizagem.

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Como ocorre a aprendizagem?

Segundo o educador suíço Jean Piaget (1896-1980), o mundo externo, cheio de estímulos, faz com que a criança assimile e se adapte constantemente ao ambiente e às novas informações. A cada nova informação surge o desequilíbrio, necessário para que se crie novos esquemas. A cada novo esquema criado, há um salto qualitativo na aprendizagem. Todo este processo ocorre através da interação com os objetos, por meio dos sentidos (tato, visão, audição, olfato e paladar) e com o meio social em que vive.

Como perceber esse processo no dia a dia?

Segundo o educador russo Lévy Semionovich Vigotski (1896-1934), o ser humano cria instrumentos que servem de mediadores no desenvolvimento das funções psíquicas, como a linguagem, o pensamento, a atenção, a percepção, imaginação e memória. A exemplo disso, podemos citar o brinquedo: é com ele e por meio dele que a criança começa a adquirir um motivo para sua ação (motivação), bem como as habilidades necessárias à sua participação social, que só serão completadas com a mediação de outras pessoas. E mais, acredita-se que, tanto por meio do brinquedo, como da interação nas brincadeiras, a criança se constitui como sujeito pensante. Brinquedos caros, às vezes, não são mais divertidos do que as tampas de panelas da vovó, do que a vassoura que se transforma em cavalinho, garrafinha de plástico que vira barquinho na banheira, cobertor que se transforma em cabaninha das bonecas... Mas o brinquedo ganha mais sentido quando é compartilhado. E este compartilhar fica registrado na memória de quem os vivenciou como sensações de prazer e afeto.

Então, brincar, cantar e contar histórias são importantes para a aprendizagem?

É na brincadeira e no contar histórias que os pais estimulam naturalmente as funções psíquicas dos seus filhos, além de compreender como eles pensam e como resolvem seus conflitos. É importante ressaltar que a atividade conjunta fortalece o vínculo de parceria e confiança e também facilita o diálogo, que deve estar presente desde muito cedo na vida das crianças.

É possível prevenir as dificuldades na aprendizagem?

É importante verificar se o nível de expectativa, tanto dos pais, como da escola, está de acordo às reais condições físicas e psicológicas da criança naquele momento. E mais, o meio é favorável para que a aprendizagem ocorra? Há outros fatores, como o comprometimento orgânico, que influenciam no desenvolvimento da aprendizagem?

Quando sei que devo encaminhar meu filho para uma avaliação psicopedagógica?

Existem vários indicadores que determinam a necessidade do encaminhamento. Os mais comuns são notas baixas ou desinteresse pelos estudos. A percepção do professor, de outros profissionais da escola, dos pais ou responsáveis pode ser determinante para a procura de uma avaliação especializada. Atualmente, é cada vez mais difícil para a família perceber tais dificuldades, em função das atividades profissionais e pessoais. Por esta razão, é importante obter ajuda de um profissional qualificado que lhes orientem sobre qual direção a seguir.

Como diagnosticar as dificuldades de aprendizagem?

O diagnóstico psicopedagógico permite levantar hipóteses e criar estratégias de tratamento para as causas das dificuldades de aprendizagem. Caso haja necessidade, o profissional da psicopedagogia pode reunir elementos que direcionem o aprendiz para outros profissionais da saúde, que verificarão a existência ou não de demais entraves neste processo.