Tentar engravidar durante a pandemia: sim ou não?
Após grávidas e puérperas serem incluídas no grupo de risco por determinação do Ministério da Saúde, algumas mulheres tem se perguntado: é melhor adiar os planos de engravidar agora?

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A orientação dos especialistas é esperar. Segundo o médico e presidente da Comissão Nacional Especializada em Assistência Pré-Natal da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) Olímpio Barbosa de Moraes Filho o momento é um fator complicador.

Apesar de os estudos feitos até agora mostrarem que as gestantes não têm um aumento de risco de morte, como acontecia com o H1N1, foi identificado, no entanto, que ter coronavírus no último terceiro trimestre da gestação pode ter complicações associadas; se a grávida tem uma pneumonia, por exemplo, pode ter um índice maior de parto prematuro.

Também são poucas as conclusões sobre se haverá impacto na "geração de bebês coronavírus". "Por enquanto, ainda não observamos nenhuma situação como aconteceu com a microcefalia provocada por zika vírus, que já era identificada no ultrassom. Mas as mulheres que podem ter tido coronavírus ainda vão parir; então, algum diagnóstico, se houver, será feito no futuro. Não há certeza absoluta de nada, agora", diz Olímpio ao portal Uol.

Então, por que adiar?

O que pode complicar pensar em engravidar em tempos de coronavírus são as condições a que a mulher poderá se submeter em tempos de isolamento social, como sair de casa para as consultas pré-natal e também para fazer exames.

O acesso às redes pública ou privada de saúde que, neste momento, se preparam para receber casos de coronavírus ou já estão superlotadas, e até mesmo a exposição ao risco do vírus no trajeto a consultas e exames precisam ser levados em conta, aponta o presidente da Febrasgo.

Ele ressalta ainda o medo e a ansiedade diante da nova doença, ainda maiores entre grande parte das gestantes.

Reprodução assistida

A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, e as entidades que representam os médicos da especialidade nos Estados Unidos e na Europa, recomendam que não sejam iniciados novos tratamentos agora.

No entanto, algumas pacientes não podem esperar. São as que têm câncer, quem tem baixa reserva ovariana e quem tem mais de 35 anos. Para esses casos, a decisão deve ser tomada em conjunto com o médico, avaliando as condições de segurança para levar o tratamento adiante.

Quem está no meio do tratamento também não é indicado interrompê-lo. Nesses casos, a mulher pode fazer o congelamento de óvulos - o que garante mais tempo para que o sonho se concretize.