Estudo: mães ainda se sentem desconfortáveis ao amamentar em público
Você já amamentou seu filho em público? Quantas vezes se sentiu constrangida por fazer isso? A maioria das mulheres ainda se sente desconfortável em amamentar seus filhos na frente de desconhecidos. Elas costumam usar um pano para cobrir as mamas, criando, dessa forma, um "ambiente privado".

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A conclusão é parte do estudo "A percepção da mulher sobre os espaços para amamentar: suporte na Teoria Interativa de Amamentação", publicado na última edição da Revista Mineira de Enfermagem.

A pesquisa qualitativa foi coordenada por Cândida Caniçali Primo, do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e ouviu 30 mulheres na maternidade de um hospital universitário capixaba.

“Isso mostra que temos um problema cultural, que é preciso trabalhar na sociedade o olhar de que o peito da mulher que está amamentando é o peito de uma mãe provendo nutrição”, disse, em entrevista à Agência Bori.

Benefícios

O estudo, desenvolvido no âmbito do projeto de extensão “Amamentar”, da Ufes, ressalta ainda os benefícios já comprovados pela ciência do leite materno: ajuda no desenvolvimento rápido da criança, aumenta a resistência imunológica e a segurança emocional.

“É por isso que precisamos trabalhar nessa construção social que mostre que amamentar é algo natural, que é importante para o bebê até os seis meses de vida dele”, pontuou a coordenadora da pesquisa.

A Organização Mundial da Saúde recomenda amamentação exclusiva por pelo menos os seis primeiros meses da vida do bebê, e existem leis em todo o mundo para proteger mães que amamentam. Nos Estados Unidos, todos os estados têm leis que especificamente permitem que mulheres amamentem em qualquer local público ou privado; a União Europeia, de modo semelhante, proíbe a discriminação contra mães amamentando.

“O espaço público ainda é algo a ser conquistado. Não se tratam de leis – elas existem no Brasil e dão total legalidade à amamentação nesses espaços. A questão é o conforto da mulher”, afirma Cândida.

Leia mais: A importância da amamentação nos primeiros mil dias do bebê

Críticas

Em julho, a companhia aérea holandesa KLM inspirou tanto críticos quanto apoiadores quando uma comissária disse a uma mãe, que amamentava, para se cobrir. A diretiva oficial da companhia: “Amamentar é permitido a bordo contanto que nenhum passageiro fique ofendido pela prática”. Há chances de alguém ficar.

Uma pesquisa recente com mil mulheres e homens, conduzida pela marca de sutiã de amamentação e de bombear leite Milx, descobriu que uma em cada três pessoas pesquisadas foram constrangidas (ou tiveram uma parceira que tenha sido constrangida) por amamentar em público.

Um estudo de 2014 conduzido pela Universidade de Atenas, por sua vez, descobriu que, enquanto amamentar em público é socialmente aceito na Noruega, Suécia e Finlândia, é muito mais raro na França e no País de Gales “onde as mulheres ainda têm sentimentos mistos devido a possível constrangimento ou julgamento a que possam ser submetidas”.

Aceitação

Saraha Gundle, doutora em psicologia que trabalha em Nova York, oferece dois motivos principais para o desconforto contínuo de ver uma mulher amamentar seu bebê. “Os seios não são associados a função; são vistos como objetos para o prazer sexual",  diz. “Então tenha um bebê ligado ao seio ou não, as pessoas veem um seio nu e o igualam a algo sexual, o que lhes deixa desconfortáveis”.

Em segundo lugar, ela diz que mulheres exercendo qualquer coisa percebida como algo descarado, “ou se aproveitando de liberdades que antes não tinham, é sempre uma ameaça. Amamentar em público certamente entra nessa conta”. E apesar de haver mais salas de amamentação públicas disponíveis em muitos lugares, Gundle se pergunta se elas podem, na verdade, contribuir para o tabu.

“Por um lado, é ótimo que existam essas salas para quem não se sente confortável de amamentar ou bombear leite em público”, diz Gundle. “Mas elas sugerem que a amamentação é algo que deveria ser feito fora de vista”.

Aproveite e assista: 

https://www.youtube.com/watch?v=zaKpOTEWK04

Com informações Crescer / Vogue