Quando o refluxo se torna uma preocupação na infância?
O bebê acabou de mamar e o leite voltou, será que ele tem doença do refluxo? Nem sempre. Normalmente, até o 6º mês, a maioria dos bebês apresenta Refluxo Gastroesofágico (RGE) fisiológico, o que é considerado normal pelos especialistas, e ocorre principalmente por imaturidade dos mecanismos de barreira antirrefluxo. “Nesses casos, não há prejuízo de crescimento e desenvolvimento da criança, não se observa irritabilidade, e o problema cessa até o segundo ano de vida. Já ocorre melhora dos sintomas após os seis meses, em coincidência com a introdução da dieta sólida e postura mais ereta”, tranquiliza a Gastroenterologista Pediátrica Dra. Giovana Stival da Silva.

Publicidade

Em contrapartida, no Refluxo Gastroesofágico patológico, a evolução é menos favorável, sem resposta às medidas posturais, podendo cursar com déficit de crescimento, anemia, dores abdominais, choro constante, hemorragias digestivas, broncoespasmo (chiado no peito), pneumonias e infecções (laringite, sinusite, otite) de repetição, sendo necessária uma investigação adequada, para excluir outros diagnósticos com sintomas similares, como as alergias alimentares.

Conforme explica a Dra. Giovana, o diagnóstico deve começar pela história clínica detalhada e exame físico completo. Se houver suspeita de RGE fisiológico, não há necessidade de realizar exames complementares. Se os sinais clínicos alertarem para RGE patológico, deve haver a confirmação, com auxílio de alguns exames, como radiografia contrastada (REED), endoscopia digestiva alta, pHmetria, cintilografia e impedanciometria, cada método diagnóstico com suas indicações específicas e de maneira individualizada.

Tratamentos

Segundo a Gastroenterologista Pediátrica, o tratamento do RGE fisiológico consiste em medidas posturais, como elevação da cabeceira do berço ou cama e adequada forma de deitá-lo, bem como orientações dietéticas específicas para cada idade. Já o RGE patológico deve ser tratado com uso de medicamentos redutores da acidez gástrica, por período determinado. “O tratamento cirúrgico só é necessário se houver recorrência da esofagite, dependência do uso de medicações ou condições patológicas associadas, como hérnia de hiato.”

Fique atenta aos sintomas

• Vômitos persistentes após os seis meses de vida;

• Choro excessivo, irritabilidade e sono agitado;

• Baixo ganho de peso e/ou altura;

• Otites de repetição;

• Rouquidão, pneumonias e broncoespasmo;

• Dificuldade para mamar.

“Se houver qualquer sinal de alarme, procure um Pediatra ou Gastroenterologista Pediátrico para investigação.”