Os primeiros cuidados com o bebê
     Os primeiros dias em casa são certamente cheios de dúvidas, adaptações e grande aprendizado. Para ajudar as mamães nessa tarefa, o Manual da Mamãe entrevistou a especialista em Neonatologia e Pediatria, Dra. Simone Silva Ramos. Confira a seguir informações importantíssimas para evitar que você sofra por antecipação e para que veja como é possível resolver os desafios que se apresentam nessa fase:

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A principal preocupação de toda mamãe é passar noites em claro por causa das famosas cólicas do bebê, que são mais comuns nos primeiros 3 meses. É possível, de alguma forma, evitá-las?

A cólica é um fenômeno fisiológico do recém-nascido, já que ele está passando por uma maturação do sistema digestivo. No entanto, o que se vê hoje é que as mães estão sendo submetidas a dietas muito restritivas, eliminando o leite, sucos ácidos, chocolate, etc. Em casos em que o recém-nascido apresenta alergias a certos alimentos, essa restrição alimentar pode ajudar. No entanto, o mais importante para se evitar cólicas é a pega da mama bem feita e a tranquilidade que a mãe passa para a criança.

 

E como é possível detectar se a criança possui alergia a certos tipos de alimentos?

Normalmente, o bebê que tem cólica fisiológica não apresenta perda de peso, passa o dia feliz, tranquilo e não possui assadura perianal. Já nos casos de alergia, o bebê vomita mais, apresenta espasmo intestinal importante, podendo, até mesmo, apresentar sangramento nas fezes.

 

E como proceder quando a cólica fisiológica chega?

O primeiro passo é detectar se o choro é mesmo proveniente de uma cólica. Para tanto, é preciso observar se a criança chora de maneira irritada, se ela está sequinha e se o choro não cessa com o oferecimento do seio. Sendo cólica, vamos tentar eliminar estes gases que se formaram na barriguinha. O calor local, que pode ser o colo da mãe, uma bolsa de água quente ou um pano aquecido, faz com que a criança melhore. Para evitar a cólica, também é bom que o bebê seja colocado para arrotar por um tempo mais longo. Existem ainda antiespasmódicos que não aliviam completamente as cólicas, mas funcionam como um paliativo. Também é bom colocar o bebê com a barriguinha para baixo, comprimindo o abdômen.

 

Outro motivo de insegurança é quanto à higiene do umbigo até que ele caia, já que há risco de infecção se ele não for bem tratado. Como o umbiguinho deve ser curado?

Deve-se simplesmente manter a cicatriz limpa, com água e sabão. Seca-se bem e utiliza-se o produto prescrito pelo pediatra. Não devemos cobrir essa ferida, dispensando a utilização de faixas. O umbigo vai cair naturalmente, não sendo necessárias interferências. Isso pode acontecer entre os cinco e os primeiros trinta dias de vida do bebê. É importante esclarecer, ainda, que um pequeno sangramento na região do umbigo, cor avermelhada e secreção amarelada e abundante, é sinônimo de perigo. Vale lembrar que o tétano neonatal pode levar o bebê a óbito.

 

Acompanhar o crescimento e o desenvolvimento da criança até o primeiro ano de vida é fundamental. Qual deve ser a frequência de visitas ao pediatra?

No primeiro ano, a criança passa por um período de transformação rápida e significativa, que irá influenciar em seu desenvolvimento para o resto da vida. É nessa fase que ela vai triplicar o seu peso e praticamente dobrar de tamanho. Por isso, fazemos o acompanhamento mensal da criança sadia.

 

O que pode levar o bebê a perder peso ou estar com o crescimento abaixo da média?

Inúmeros fatores podem levar a isso, mas o que mais presenciamos é a perda de peso por problemas na técnica de amamentação.

 

Até os quatro meses, é normal o bebê soltar um pouco de leite após as mamadas. Quando isso pode ser encarado como refluxo?

Quase todo recém-nascido apresenta refluxo fisiológico, devido à imaturidade do sistema digestivo, à posição de decúbito que o bebê é colocado e o fato de a válvula ser mais frouxa até o sexto mês de vida. Nesses casos, podemos adotar medidas que dificultem o retorno do leite, como colocar o bebê com a cabeceira mais elevada após a amamentação e evitar manuseios, banhos e trocas após as mamadas. Também é bom evitar sacudir a criança próximo às mamadas. Já nos casos de refluxo patológico, outros sintomas podem ser percebidos, como a perda de peso, irritação e ainda otites e bronquites de repetição.

As assaduras também são comuns nos primeiros meses. Como evitá-las e como deve ser a higiene do menino e da menina?

Ambiente quente, úmido e escuro provoca agressões à pele. Se você faz trocas frequentes, o bebê dificilmente apresentará assaduras. Mas não recomendamos fazer trocas de xixi durante a noite. Os cuidados que devemos ter começam também pela roupa da criança, que deve ser lavada com material neutro e bem enxaguada. É necessário evitar também agressões, como talco e lenços umedecidos. O ideal é lavar o bumbum com água corrente. Também não existem grandes diferenças entre a higiene do menino ou da menina. É necessário apenas saber que a menina tem de ser trocada mais rapidamente, devido à pequena distância entre a vagina e o ânus.