O bebê chegou, e agora?
A gravidez já te deu uma prévia sobre o peso do significado da palavra “mudança”. Mas ele vem ainda mais forte com o nascimento do bebê. Muda a rotina, instalam-se as inseguranças, aumenta a responsabilidade e a mamãe se pergunta: “vou conseguir?”. Não tenha dúvidas, você está preparada. Com o apoio de quem ama e as informações corretas, é possível tirar de letra esse caminhão de mudanças e aproveitar cada momento de descobertas dessa fase que passa tão rápido. Com ajuda da psicóloga Dra. Larissa Lomba e da pediatra Dra. Ana Carla Borges, o Manual da Mamãe listou questionamentos comuns ao período. Confira:

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O que mais preocupa os pais com a chegada do bebê?

Normalmente são as mudanças ocorridas na família e o receio de não dar conta dos cuidados com o bebê. Os pais costumam se sentirem apreensivos quanto ao novo curso de suas vidas, quanto à responsabilidade de dedicação para toda a vida, e como esse evento influenciará em suas rotinas conjugais, familiares e profissionais.

Como lidar com essas preocupações?

Para lidar com esses receios, costumamos enfatizar duas palavras-chaves: paciência e flexibilidade. Os pais devem ter tranquilidade e sabedoria para lidar com as mudanças. Excesso de preocupação apenas gera estresse, conflitos e até mesmo desajustes físicos e emocionais na família.

Geralmente, a mamãe se cobra demais nesse momento. Por que isso acontece?

A cobrança costuma relacionar-se com o desejo de fazer tudo perfeito, mas a perfeição é algo inalcançável, todos cometerão erros. As mães devem fazer o seu melhor pelo bebê e por sua família, mas sem se esquecerem de si mesmas e de seus próprios limites, pois se elas que são as cuidadoras não estiverem bem, não poderão exercer cuidado. Por isso, as mães devem lembrar-se de que tudo é um aprendizado, para elas e para os bebês; elas devem curtir o processo e não apenas focarem em obter resultados. E quando necessário, é importante que a mãe saiba solicitar ajuda e não se sinta desmerecida nem incapaz por isso.

Qual a importância de contar com a ajuda de algum familiar ou profissional nesse momento?

Esse período inicial muitas vezes corresponde a momentos de cansaço e exaustão física e emocional e alguns optam por serem ajudados por familiares ou amigos próximos. Essa ajuda pode ser de grande valia quando dispensada conforme a dinâmica e os desejos dos novos pais e mães. Porém, é necessário ter cuidado para não invadirem a privacidade dos pais e não gerarem conflitos por divergências com eles. Poder contar também com profissionais da saúde pode trazer alento, segurança e sanar dúvidas práticas do dia a dia é muito bom.

Recebo muitos palpites sobre como cuidar do bebê e alguns são contraditórios, o que fazer?

Primeiro, tente filtrar o que todos dizem e comparar com o que você tem recebido de orientações do pediatra que você escolheu para acompanhar o seu bebê. Experiências e dicas são bem-vindas, mas nem sempre o que foi bom para um bebê será para outro, cada um funciona de uma forma peculiar e o pediatra terá um olhar amplo sobre a criança. Algumas dicas de amigos e familiares são baseadas em crendices, sem bases científicas comprovadas, mas não despreze os conselhos nem os ignore, apenas leve suas dúvidas ao pediatra, que poderá te orientar, pois a cada dia surgem novas e melhores orientações de como devem ser os cuidados do bebê. Não se irrite com essas dicas, leve-as ao médico e no momento certo pergunte. É muito importante também que converse e conheça o futuro pediatra do seu bebê antes mesmo dele nascer.

O que fazer quando o bebê chora?

Primeiro, mantenha-se calma, bebês choram, pois é a maneira deles de se comunicarem. Por mais desesperador que possa ser, quando você se mantém tranquila esse é o primeiro passo para a criança também se acalmar e nesse momento tudo influencia: o seu tom de voz, sua frequência cardíaca, se ele estiver em seu colo, a forma como você o balança ou acalenta, tudo isso ele sente. Vale lembrar as principais causas que levam um bebê a chorar: fome, sono, cólica, frio ou calor e fralda suja. Verifique todos esses itens e aos poucos você irá reconhecer o que se passa com o seu bebê. Se não for nenhum deles, pode ser que o bebê esteja se sentindo inseguro e desamparado, por isso, segure-o no colo e dedique um tempo a ele, afinal tudo é novo para ele também.

O que fazer para aliviar as cólicas do bebê?

As cólicas do bebê são mais frequentes nos três primeiros meses e isso se deve a uma imaturidade do intestino dele. Além de ter muita calma, o que pode aliviar as cólicas são as massagens na barriguinha, as manobras com as perninhas orientadas pelo pediatra e compressas mornas. Poucos remédios têm realmente eficácia comprovada para aliviar as cólicas.

Sentir-se triste, insegura e sensível é normal no pós-parto?

Nesse período, a mulher vivencia oscilações hormonais, fisiológicas, o que é normal. Algumas mães choram com frequência, sentem-se exaustas, questionam sua habilidade como mãe e duvidam se conseguirão seguir adiante. O alerta deve vir quando esses sinais se tornarem exacerbados e frequentes demais, juntamente com sintomas, como recusa em cuidar do bebê, isolamento, desespero, sentimentos de hostilidade e fragilidade extremos, culpa e alterações extremas do sono e apetite. Qualquer dúvida, procure um psicólogo que possa lhe auxiliar a identificar quais fatores estão colaborando para essa condição. Vale ressaltar que em alguns casos há a necessidade de intervenção medicamentosa, mas apenas prescrita por um especialista.