Hábitos bucais que podem prejudicar a criança
Momento de reforçar laços afetivos entre mãe e bebê, a amamentação é comprovadamente fonte de inúmeros benefícios imunológicos, influenciando diretamente também na saúde bucal do bebê. Segundo a odontopediatra Dra. Fernanda Bello Costa de Souza, amamentar é de fundamental importância para o desenvolvimento da face. Os bebês nascem com a mandíbula mais retraída, tendo todos um retrognatismo mandibular e com o ato da sucção esta diferença é compensada, deixando a relação entre maxila e mandíbula mais harmônica.

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“No ato de sucção, o bebê precisa fazer força para sugar o leite materno, projetando sua mandíbula em cada movimento. Sendo assim, os músculos responsáveis por estes movimentos estimulam o crescimento do osso mandibular”, explica. Por diferentes razões algumas mulheres não conseguem amamentar, necessitando oferecer leites artificiais para seus filhos. Se isso acontecer, a Dra. Fernanda aconselha oferecer o alimentos em copos, o que estimula a projeção da mandíbula, ou em mamadeiras com orifícios pequenos que estimulem os pequenos a realizarem uma força maior.

Nos primeiros anos de vida os bebês estão na fase oral, conhecendo o mundo através da boca, com uma necessidade de sucção maior, o que muitas vezes leva ao hábito de chupar o dedo ou ao de usar chupetas. A odontopediatra alerta que, apesar destes hábitos de sucção não nutritiva acalmarem os pequenos, eles também podem ser a causa de alterações nas arcadas dentárias quando acontecerem de forma prolongada.

“A presença do dedo ou da chupeta altera o equilíbrio muscular da cavidade bucal. Quando o bebê ou a criança estão com o dedo ou a chupeta na boca, a língua fica em posição inferior e não no céu da boca. Sem a língua no céu da boca, este osso não recebe o estímulo para crescer, ficando menor que o osso mandibular, podendo causar mordida cruzada”, orienta a Dra. Fernanda. Além disso, a força exercida nos dentes superiores faz com que estes fiquem projetados para frente e impedem sua irrupção contínua causando mordidas abertas, as quais favorecem a interposição da língua no espaço criado, dificultando, assim, a deglutição e a fonação.

Obstruções nasais também devem ser avaliadas, pois a dificuldade de respiração pelo nariz leva à respiração pela boca, mudando a posição da língua e dos lábios, podendo ser causa de mordida aberta e cruzada. “Sendo assim, é importante que bebês e crianças sejam acompanhados pelo odontopediatra para verificação das alterações bucais, da melhor época para abandono dos hábitos e do momento mais adequado para tratamento de alterações já instaladas”, aconselha a especialista.