Guia geral da alergia
Reações respiratórias, como rinite, bronquite, asma e laringite. Outras são cutâneas, que se apresentam como dermatite atópica, de fraldas ou de contato, urticárias, angioedemas (inchaços na superfície da pele), e alergia a picadas de inseto. Há ainda manifestações oculares, como a conjuntivite. Tudo isso são reações alérgicas bastante comuns em bebês e crianças.

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A especialista em alergia e imunologia pela USP Dra. Lorena de Castro Diniz explica que a alergia é uma reação exagerada do organismo e pode ser causada por variados agentes, chamados de alérgenos, desde ácaros (poeira doméstica), fungos do ar (mofo), pólens e gramíneas, alimentos (leite, ovo, amendoim, frutos do mar), insetos (abelha, formiga, marimbondo e mosquitos) até medicamentos. Para ajudar a mamãe a saber como agir em casos de sintomas, o Manual da Mamãe preparou, com ajuda da especialista, um tira-dúvidas sobre o assunto. Confira:

Qual a diferença entre alergia e irritação? Os pais conseguem diferenciar?

Na reação alérgica sempre está envolvido o sistema imunológico, com a formação de anticorpos contra alguma coisa, já na irritação o agente envolvido afeta o paciente, devido a extremos de temperatura, concentração de determinada substância ou por tempo de contato. Porém, só o especialista é capaz de identificar as diferenças.

Qual a origem das doenças alérgicas?

É sabido que atualmente as doenças alérgicas, de uma maneira geral, têm origem multifatorial e complexa. Acredita-se que, para sua ocorrência, tem de haver uma combinação entre uma predisposição genética da pessoa e uma situação no ambiente facilitadora para que a doença se exteriorize.

Quais são os alérgenos mais comuns nas crianças?

Nas crianças, os principais alérgenos são os ácaros, pelos de animais, como cão e gato, e alimentos, principalmente leite, ovo, trigo e soja. Destes últimos, o leite é o principal vilão, mas a criança deve ser vista por um especialista para que não seja retirado um alimento tão importante nesta fase sem necessidade.

O que é um “bebê chiador”?

Até os 2 anos, crianças que apresentam chiado no peito são chamadas de “bebês chiadores”. São bebês que sofrem com a presença de chiado contínuo no peito por um mês ou três episódios de chiado no período de dois meses. Trata-se de uma síndrome, isto é, um conjunto de sinais e sintomas que podem caracterizar diversas doenças diferentes, isoladas ou associadas, e que, portanto, necessitam de um diagnóstico diferenciado, cuidadoso e precoce.

Quais as diferenças entre alergia alimentar e intolerância alimentar?

A alergia é uma reação que envolve o sistema imunológico contra uma proteína do alimento, já a intolerância é a falta de uma enzima de digestão daquele alimento envolvido, que geralmente é um açúcar (lactose, frutose e sacarose) ou glúten.

O que provoca a dermatite de fraldas? Como cuidar?

Geralmente, o problema é causado pela acidez da urina no contato com a fralda fechando o local, ou até mesmo pelo material utilizado nesta fralda (plástico, gel). Para tratar, deve-se avaliar se é uma alergia ou uma monilíase (fungo). Por isso, os pais devem sempre procurar o especialista, pois a automedicação é perigosa.

As famosas brotoejas são um sinal de alergia?

Nem sempre. Podem ser transitórias e não significar nada mais crônico.

Alergia tem cura?

Não, como toda doença genética, tem controle, que pode e deve ser total.

Como são diagnosticadas as alergias em bebês e crianças?

Existem atualmente vários testes que podem ser feitos a partir do 6º mês de vida, mas lembrando que nesta idade podemos ter resultados falsos negativos e nos baseamos muito nos sintomas clínicos e na história familiar para fecharmos um diagnóstico.

De forma geral, quais os tratamentos mais indicados para a alergia?

O principal tratamento das doenças alérgicas são o afastamento dos agentes causais e, em seguida, tratamento dos sintomas, e a imunoterapia (vacinas para alergia) para induzir tolerâncias nestes pacientes.

Como tenho acesso a essas vacinas?

É necessário alertar que as vacinas com alérgenos não são disponíveis em farmácias. A pessoa alérgica somente tem acesso a esta forma de tratamento por indicação e orientação médica, detalhada do alergista.
Esse conteúdo foi feito em parceria com

Dra. Lorena de Castro Diniz


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