Tudo o que você precisa saber sobre o parto normal
Fisiologicamente, o parto normal é a maneira mais adequada e natural de uma criança nascer. Porém, durante muito tempo imperou o medo dessa via de nascimento - seja por receio da dor ou por desconhecimento - e a cesárea era a escolha da maioria das gestantes. Nos últimos anos, no entanto, os partos normais voltaram a ganhar espaço graças a maior compreensão dos benefícios que trazem para mãe e bebê. A ginecologista e obstetra Dra. Jordana Lobo é a entrevistada do Manual da Mamãe para esclarecer as principais dúvidas que ainda rondam o parto normal. Confira:

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Quais são as vantagens do parto normal para a mãe e para o bebê?

O parto normal é o natural e as vantagens são imensas para o binômio mãe e filho. Durante as contrações do trabalho de parto e na expulsão do feto, pela compressão do seu tórax, o excesso de líquido presente nos pulmões do bebê é eliminado mais facilmente, diminuindo assim complicações respiratórias; a passagem do bebê pela vagina da mãe o expõe a diversos microorganismos que favorecem seu sistema imunológico e o protegem contra infecções, além de contribuir com a formação da sua flora intestinal, o trabalho de parto também faz com que o bebê nasça mais ativo. Para a mulher as vantagens também são grandes: sua recuperação é mais rápida, os riscos de hemorragia e infecção são menores e ainda favorece a produção do leite materno. Estudos mostram que nesse tipo de parto ocorre um laço efetivo mais rápido entre a mãe e o bebê, além de proporcionar bem-estar à mulher e reforçar seu empoderamento.

Como controlar a dor durante todo o trabalho de parto?

Recomendo sempre o uso da bola suíça, banhos mornos, caminhadas, dança e massagens para o alívio da dor. Controlar a respiração é extremante importante também. O ambiente mais aconchegante, com luz baixa e música relaxante são bem-vindos. Existe ainda o uso de medicamentos para o alívio da dor, como a analgesia, que pode ser solicitada pela mulher a qualquer momento, a depender do seu limiar de dor, que é bastante individual. Ocorre o alívio significativo da dor, mas não é capaz de cessar todo o quadro, uma vez que é necessário a mulher perceber as contrações para fazer o puxo adequado para a expulsão do bebê. Sua desvantagem é que pode prolongar o trabalho de parto.

Parto normal alarga a vagina?

Muitas mulheres têm esse receio em relação ao parto vaginal, mas vale a pena lembrar que o que favorece as distopias genitais é a própria gravidez, independentemente da via de parto, normal ou cesárea. Os músculos do assoalho pélvico são responsáveis por sustentar os órgãos da cavidade pélvica e com o advento da gravidez funcionam como uma rede segurando o útero e o bebê, ou seja, recebem um grande peso. Então, além do aumento do peso na região, os músculos sofrem influência de diversos hormônios que prejudicarão a elasticidade do assoalho pélvico. Durante o parto normal, os tecidos da vagina e do períneo se distendem para a expulsão do bebê, mas a musculatura habitualmente retorna ao normal após um tempo.

Laceração é comum no parto normal?

Não. As estatísticas mostram que o comum, em mais de 80% dos partos normais devidamente assistidos, é não apresentar laceração, ou quando apresenta, é de 1º grau, que é superficial e habitualmente não necessita de pontos. As lacerações mais profundas podem ocorrer quando o parto é muito rápido, o bebê é muito grande, o corpo perineal (distância entre a vagina e o ânus) da mulher é curto e quando é necessário utilizar algum instrumento para ajudar o bebê a nascer (fórceps ou vácuo extrator). Como na maioria das vezes a laceração é de 1º grau e não é necessário nenhum ponto, a pele e a mucosa vaginal se recuperam rapidamente. Em cerca de 16% dos partos ocorre laceração de 2º grau e como atinge a musculatura, os pontos são necessários, mas a recuperação também se dá de maneira rápida. As lacerações mais graves, de 3º e 4º graus, demoram mais tempo para cicatrizarem, necessitam de maiores intervenções e requerem cuidados especiais, pois atingem o esfíncter anal, mas são raras.

Como se preparar para o parto normal?

Acredito que a melhor preparação para o parto normal é o desejo da mulher. O corpo da mulher foi preparado para esse evento, mas sabemos que algumas medidas adotadas pela gestante durante seu pré-natal fazem diferença na hora do parto, como por exemplo: a prática de exercícios físicos, alimentação mais saudável, fisioterapia pélvica, massagem perineal e até mesmo meditação e acupuntura tem se mostrado eficazes.

O que diferencia um parto normal humanizado de um não humanizado?

O parto normal tradicional, que por muitos anos foi aplicado, consiste na utilização de procedimentos e intervenções como de rotina, independentemente da necessidade ou não, como: jejum absoluto, raspagem dos pelos pubianos, lavagem intestinal, uso de sonda para esvaziar a bexiga, além de toques vaginais repetidos, uso de medicações nem sempre necessárias e até mesmo episiotomia rotineira. No parto humanizado as intervenções são aplicadas apenas quando se fazem necessárias. Durante o trabalho de parto a equipe obstétrica fornecerá à mãe todo o suporte físico e emocional, respeitando seus desejos sempre que possível. A gestante tem liberdade de se movimentar e adotar a posição de sua preferência. São oferecidos a ela meios de diminuir a dor e a ansiedade. A gestante poderá ter um acompanhante da sua escolha durante todo o seu trabalho de parto, parto e pós-parto, além de optar por músicas que goste e escolher a intensidade da luz no local. Após o nascimento, o bebê é colocado imediatamente no colo da mãe para mamar e o clampeamento do cordão se dá em momento oportuno, sempre que possível.
Esse conteúdo foi feito em parceria com

Amparo Maternidade


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