Mamães e papais aguardam ansiosos para ouvir as batidas do coração do bebê, descobrir o sexo, ver o rostinho, a mãozinha, o pezinho, não é mesmo? E o exame ultrassonagráfico revela tudo isso e muito mais. Embora seja emocionante esse momento, é fundamental destacar que o ultrassom é um exame importantíssimo durante o pé-natal para acompanhar o progresso da gravidez e a saúde da mamãe e do bebê. “É um método diagnóstico não invasivo que auxilia o médico pré-natalista no acompanhamento da gestação e rastreamento de patologias maternas e/ou fetais”, explica a ginecologista e obstetra Dra. Clarissa Marini Pinto Japiassu. Apesar de ser aparentemente simples, o exame ainda gera muitas dúvidas entre as futuras mamães, as quais serão esclarecidas a seguir pela Dra. Clarissa. Confira:

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Qual a importância do ultrassom na gestação?

A ultrassonografia revolucionou a medicina e, particularmente, a obstetrícia nas últimas três décadas. É um método diagnóstico não invasivo, que auxilia o médico pré-natalista no acompanhamento da gestação e rastreamento de patologias maternas e/ou fetais.

Quando fazer o exame pela primeira vez?

No primeiro trimestre. Com 4 semanas visualiza-se o saco gestacional, com 5 semanas a vesícula vitelínica, com 6 semanas o embrião e em seguida os batimentos cardíacos. Portanto, recomenda-se fazer o primeiro ultrassom por volta de 8 semanas, para que sejam vistas todas as estruturas, evitando estresses desnecessários para o casal.

Quando é possível saber o sexo do bebê?

Atualmente, sabemos que até a 12a semana de gestação o diagnóstico do sexo é impreciso e após a 13a semana de gestação ele pode tornar-se mais acertado. Além do tamanho do feto, a avaliação do sexo é prejudicada nos casos de obesidade materna, cirurgias abdominais prévias, posição uterina, posição fetal e qualidade do aparelho de ultrassom utilizado. Assim sendo, não exija de seu médico uma resposta, caso ele esteja com dificuldades, pois, realmente, pode estar difícil de visualizar e uma resposta precipitada pode levar a sérios problemas futuros, como ter que trocar o enxoval do bebê e explicar para todos que o sexo estava errado.

Quando os pais irão conseguir ouvir o coração do bebê?

No final da sexta e início da sétima semana de idade gestacional.

O ultrassom é um exame seguro? Existe alguma contraindicação?

A experiência com o diagnóstico clínico do ultrassom até hoje não demonstrou nenhum prejuízo aos pacientes ou aos examinadores. Apesar de não haver nenhum risco conhecido com o uso do ultrassom, a prática prudente dita que o exame seja usado para aplicações médicas, com um mínimo de exposição de tempo e descarga de instrumentação, para obter a informação diagnóstica necessária.

Quais doenças podem ser identificadas através do exame?

Patologias maternas, tais como malformações uterinas (útero bicorno, septado, didelfo), massas pélvicas de origem uterina e/ou tubária/ovarina (miomas, cistos, tumores), patologias da placenta (descolamento e inserções anômalas) e da cavidade amniótica (aumentada ou diminuída) e patologias fetais, como cromossomopatias e malformações. A ultrassonografia mostra-se também útil para rastreamento de parto prematuro (avaliando comprimento do colo uterino) e DHEG (Doença Hiperetensiva Específica da Gestação) – associado ao doppler.

Mesmo que todas as ultrassonografias estejam aparentemente normais, a criança pode nascer com alguma malformação?

Sim. A ultrassonografia morfológica, realizada no segundo trimestre da gravidez, e a especialização contínua dos ultrassonografistas favorecem a detecção das malformações congênitas, aumentando a sensibilidade diagnóstica. Em alguns estudos, a sensibilidade para detecção de anomalias fetais, abaixo da 24ª semana de gestação, foi de 93% para o sistema nervoso central, 45,2% para o sistema cardiovascular, 85,2% para o sistema gastrintestinal, 85,7% para o sistema urinário, 84,6% para o sistema musculoesquelético e 95,2% para as outras anomalias encontradas. Assim, sugere-se que a ultrassonografia entre a 20ª e 22ª semanas de gestação pode detectar a maioria (mas não todas) das anomalias congênitas.

Existe um número ideal de ultrassonografias recomendadas às gestantes?

Não existem evidências científicas para analisar o número de exames ultrassonográficos na rotina do pré-natal, de baixo risco, em relação aos benefícios do prognóstico materno e gestacional. Cada país, instituição ou médico tem sua rotina estabelecida de acordo com a população atendida, sendo, em média, recomendados quatro exames ultrassonográficos durante o pré-natal: obstétrica endovaginal, no período embrionário, morfológico do primeiro trimestre, morfológico do segundo trimestre e ultrassonografia obstétrica, para avaliar o crescimento fetal e alterações da placenta e cavidade amniótica.

Objetivos dos exames:

1º trimestre:

Confirmar presença e localização da gravidez, se única ou múltipla, definir causa de sangramento vaginal, avaliar dor pélvica, estimar idade gestacional, confirmar atividade cardíaca, avaliar patologias uterinas e ovarianas, avaliar suspeita de mola hidatiforme, rastrear anomalias cromossômicas, detectar malformações graves e guiar biópsia de vilosidades coriônicas.

2º e 3º trimestres:

Estimar a datação da gestação, avaliar crescimento fetal, sangramento vaginal, dor pélvica ou abdominal e massas pélvicas, confirmar suspeita de mola hidatiforme, determinar apresentação fetal, avaliar placenta e cavidade amniótica, guiar procedimentos invasivos (amniocentese, cordocentese), rastrear malformações fetais e anomalias cromossômicas.
Esse conteúdo foi feito em parceria com

Dra. Clarissa Marini Japiassu


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