Qual a prevalência de doenças da tireoide na gestação?
De 2% a 3% das gestantes podem apresentar problemas na tireoide. Desse total, 10% possuem doença autoimune, mesmo que não apresentassem hipo ou hipertireoidismo antes. A tireoide tem um papel importantíssimo na gestação, não apenas favorecendo a fecundação mas também ajudando a “segurar” o embrião no útero. Por isso, aponta o médico Dr. Pedro Lobo, é de suma importância pedir o exame que mede o TSH (hormônio estimulador da tireoide) no início da gravidez e durante o pré-natal, para avaliar a função tireoidiana.

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Isso porque tanto o hipertireoidismo (produção dos hormônios da tireoide em excesso) quanto o hipotireoidismo (queda desses hormônios) não diagnosticados ou não tratados adequadamente na gestação trazem complicações maternas, como abortamento, doenças hipertensivas da gestação, dentre outras e, ainda, fetais, como prematuridade, morte perinatal e morte fetal.

“Recomenda-se cuidado na interpretação de testes de função tireoidiana em mulheres grávidas, pois o valor de referência do TSH na gestação apresenta variação de limites específicos para cada trimestre”, alerta o Dr. Pedro, já que durante a gravidez observa-se mudanças fisiológicas na função tireoidiana, fazendo com que a tireoide materna aumente sua produção de tiroxina (T4), essencial para o desenvolvimento psiconeurológico do feto.

“A glândula tireoide normal não apresenta qualquer dificuldade para responder a tais alterações funcionais. No entanto, isso não ocorrerá caso haja doença tireoidiana que comprometa a capacidade da função da glândula ou se a gestação acontece em mulheres saudáveis em áreas deficientes de iodo”, informa o médico.

Hipertireoidismo

A prevalência do hipertireoidismo na gestação é de 0,1% a 0,4%, sendo a Doença de Graves (DG) - uma doença autoimune, que gera uma anomalia no funcionamento das glândulas tireoides - responsável por 85% dos casos, afirma o Dr. Pedro Lobo. Ele explica que as pacientes com suspeita de hipertireoidismo devem realizar dosagens de TSH, T4 total, T4 livre e TRAb (anticorpo antireceptor do TSH).

Hipotireoidismo

O hipotireoidismo clínico ocorre em 0,3% a 0,5% das gestantes e o hipotireoidismo subclínico – uma forma mais branda da doença - em 2% a 3%. Segundo o médico, a tireoidite crônica autoimune é a principal causa de hipotireoidismo, exceto a deficiência de iodo. Muitas pacientes não sentem nada, são assintomáticas, outras apresentam cansaço, sonolência, constipação intestinal, ganho de peso, pele seca, bradicardia e intolerância ao frio. O diagnóstico é feito pelo exame de TSH, específico para cada trimestre, T4 livre e total e o anti-TPO (antitireoperoxidase) para determinar a etiologia autoimune.