Parto humanizado: saúde e respeito
Respeito. Esta é a palavra de ordem quando o assunto é parto humanizado, cuja assistência é focada na saúde e no bem-estar da mãe e do bebê, com uma visão holística, que valoriza a autonomia e o protagonismo da mulher durante o processo da gestação, parto e pós-parto e atua com o respaldo das condutas obstétricas e neonatais em evidências científicas recentes e de qualidade. “Simplificando, no parto humanizado existe o respeito ao processo fisiológico do nascimento. Os profissionais estão presentes para intervir quando necessário e todos os procedimentos são discutidos antes de serem realizados”, afirma a ginecologista e obstetra Dra. Bárbara Schwermann.

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A médica destaca, portanto, o quanto é importante ter em mente os inúmeros benefícios do parto normal para a mãe e para o bebê. Para a mãe é indicado porque a recuperação é mais rápida, o leite desce mais fácil, e o vínculo entre mãe e bebê se estabelece mais facilmente. Para o bebê, o parto normal e humanizado facilita o contato pele a pele, que é extremamente importante na primeira hora de vida.

Além disso, a passagem pelo canal de parto funciona como uma vigorosa massagem permitindo a eliminação de resíduos de líquido amniótico presente nos pulmões do bebê, diminuindo o risco de problemas respiratórios. Outra vantagem do parto normal é que, quando o bebê passa pelo canal de parto, todo o seu corpo será colonizado por bactérias da mãe, que são o primeiro estímulo para a formação do seu sistema imunológico, diminuindo as chances de desenvolver vários tipos de alergias.

“Apesar dos muitos avanços para aumentar a segurança, a cesárea, tal como as outras cirurgias, tem riscos. Portanto, se realizada sem real indicação clínica estará expondo mães e bebês a riscos desnecessários”, compara a Dra. Bárbara. Para a mulher, os riscos são os mesmos de outras cirurgias de médio porte: sangramentos, infecções, reações anestésicas etc. “Além disso, a cesárea, em comparação ao parto normal, tem cerca de quatro vezes mais risco de infecção pós-parto, três vezes mais risco de morte materna, recuperação mais difícil da mãe e maior possibilidade de complicações em gestações futuras”, afirma a médica.

Para os bebês, a cesárea agendada aumenta os riscos de prematuridade e mortalidade neonatal, tendo o bebê 120 vezes mais chances de nascer com problemas respiratórios. “A cesárea é uma cirurgia importante. Em algumas situações, ela é única opção para resguardar a saúde da mãe ou do bebê. Mas, em circunstâncias normais, o parto normal e humanizado sempre é a melhor opção para a mulher e para o recém-nascido”, orienta a especialista.