Nutrientes importantes para a mãe e o bebê
A gestação é período maravilhoso, mas que exige muitos cuidados com a saúde. E a alimentação é um deles. Afinal, a gestante será fonte de suprimentos para o bebê. Tudo o que ela absorver passará para o filho. Por isso, ao planejar a gravidez é importante reavaliar os hábitos alimentares, a fim de levar uma gestação tranquila e proporcionar um bom desenvolvimento ao bebê. Para dar melhores informações sobre esse assunto, o Manual da Mamãe conversou com a nutricionista Dra. Pollyana Ayub. Confira:

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A alimentação saudável deve se iniciar antes mesmo da mulher engravidar? Por quê?

O primeiro trimestre gestacional caracteriza-se por grandes modificações biológicas, devido à intensa divisão celular que ocorre nesse período. A saúde do embrião depende da condição pré-gestacional da mãe tanto às suas reservas energéticas quanto à reserva de vitaminas e minerais. A nutrição materna antes e durante a gravidez afeta o desenvolvimento presente e futuro do bebê. Já no segundo e terceiro trimestres, a condição nutricional do bebê será influenciada pelo meio externo, ou seja, o ganho de peso adequado, a dieta equilibrada e estilo de vida serão determinantes para o crescimento e desenvolvimento normais do feto. Por esse motivo, a disciplina relacionada ao hábito de vida da gestante será responsável pelas consequências imediatas e futuras para a mãe e o bebê. Sendo assim, é importante iniciar um trabalho de educação nutricional antes da gravidez, pois uma dieta equilibrada contribui para uma gestação bem-sucedida.

Quais são as consequências que uma alimentação deficiente na gestação pode gerar para a mãe e para o bebê?

A gravidez provoca modificações fisiológicas no organismo materno, que geram necessidade aumentada de nutrientes essenciais, como as vitaminas, minerais e macronutrientes (proteínas, gorduras e carboidratos). O inadequado aporte calórico pode levar uma competição entre a mãe e o bebê, limitando a disponibilidade dos nutrientes necessários ao adequado crescimento fetal, ou seja, quando há uma privação o corpo materno é mais poupado. O baixo peso materno está associado à prematuridade, ao baixo peso ao nascer (<2,5Kg) e pequeno para idade gestacional (PIG) e, por outro lado, a obesidade materna está relacionada à maior incidência de sobrepeso/obesidade e distúrbios metabólicos na infância e na adolescência, e aumenta o risco de diabetes melito gestacional e pré-eclâmpsia para a mãe.

Quais são os nutrientes fundamentais para a gestante?

Por ser um período de grandes alterações para o organismo materno, ocorrem mudanças que que englobam vários sistemas: cardiovascular, respiratório, gastrointestinal, entre outros. Devido essas alterações, a necessidade de nutrientes estão aumentadas. De fato, todos eles têm sua devida importância e devem estar em harmonia, para não haver um desequilíbrio no organismo, porém alguns nutrientes possuem uma atenção especial, como é o caso do Ferro, que no último trimestre requer um maior consumo pela gestante. Os probióticos (bactérias saudáveis) são importantes para manter uma microbiota intestinal benéfica, melhorando, assim, a função intestinal e imunidade da mãe e, consequentemente, do bebê. O ômega 3 pode reduzir o risco de depressão pós-parto na mulher e está relacionado com o desenvolvimento neurológico da criança. Uma boa fonte alimentar desse nutriente é a sardinha. Outro nutriente de grande importância é a vitamina D, a sua deficiência pode estar relacionada com ganho de peso insuficiente, diabetes gestacional e pré-eclâmpsia. As proteínas também têm sua importância, pois nessa fase a recomendação está aumentada, devido ao desenvolvimento de novos tecidos e órgãos.

Quais alimentos são contraindicados durante a gestação? Por quê?

O que tem que ser evitado são os produtos industrializados, pois contêm uma quantidade significante de açúcar, conservantes e corantes; o álcool, pois atravessa a placenta, trazendo consequências maléficas para o bebê; e os produtos refinados, pois não possuem nutrientes em quantidades adequadas.

Quantas refeições a gestante deve fazer ao dia?

A dieta fracionada de 2 a 3 horas por dia auxilia no controle do apetite, da hipoglicemia, hiperglicemia e enjoos. Esse fracionamento é dividido em café, colação, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia.

 

Para ter uma alimentação saudável, a gestante deverá:

• ingerir frutas e verduras orgânicas frescas (bem higienizadas);

• ter um consumo diário de 2 a 3 litros de água;

• comer produtos integrais;

• usar temperos naturais, como salsinha, orégano, alho e cebola;

• consumir castanhas, pois elas têm fonte de gorduras “boas”;

• evitar os alimentos crus;

• variar a proteína animal, sendo o ovo uma boa fonte de nutriente.