Mamãe sempre alerta
A gestação é um processo natural na vida da mulher em que o organismo todo se modifica, preparando-se para abrigar o bebê. Algumas alterações fazem parte dessa mudança, outras provocam preocupação. Para ajudar as mamães a identificarem o que é ou não é normal neste período, convidamos o ginecologista e obstetra Dr. José Bento de Souza para dar uma “consulta” às sempre alertas leitoras do Manual da Mamãe. Confira:

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O que normalmente mais assusta a gestante durante a gravidez?

Baseado em minha experiência profissional, vejo que não tem coisa que assuste mais uma grávida do que o sangramento.

E até quando isso é considerado normal?

No final da gravidez, o sangramento é muito comum, principalmente depois que o médico começa a fazer exames de toque para saber se a mulher tem dilatação. Então, o sangramento pequeno, discreto, que pode se confundir com corrimento escuro, é normal no final da gravidez. Mas, no início da gestação, ele não é bem-vindo. Caso isso aconteça, a gestante deve procurar seu médico imediatamente para receber orientações e saber o que está acontecendo com ela e o bebê.

O senhor nota alguma outra coisa que assusta as gestantes?

A perda de líquido também assusta muito. Às vezes, um corrimento um pouco mais intenso é confundido com perda de líquido e ruptura da bolsa. Mas a grávida precisa saber que esses corrimentos durante a gravidez são muito comuns e eles realmente aumentam durante a gestação.

Quando se preocupar com o corrimento?

A grávida deve se preocupar quando este corrimento for muito abundante e tiver odor de cândida. Aí pode ser que não seja só um corrimento e, de fato, a bolsa tenha rompido. Se esse corrimento for amarelado, acompanhado de coceira, de ardor e de odor, pode indicar algum tipo de infecção.

A infecção urinária é um problema comum na gravidez?

É a alteração clínica mais comum na gravidez. Durante a gestação, os mecanismos de defesa locais para evitar uma infecção urinária estão diminuídos por vários motivos e isso facilita a entrada de bactérias. Se for o caso, o médico passará um tratamento a base de antibióticos, que são muito seguros.

O inchaço pode ser indício de pressão alta?

A maioria dos inchaços na gravidez, principalmente no final da gestação, é completamente benigno e não é, necessariamente, sinal de pressão alta. Mas, às vezes, esse inchaço vem acompanhado de pressão alta e dor de cabeça. Isso se chama toxemia gravídica. É quando o médico vai intervir e passar o tratamento correto à paciente.

O ganho excessivo de peso na gestação é um sinal de alerta?

É, sim. É péssimo. O ganho excessivo de peso acaba chamando a hipertensão arterial, o diabetes gestacional e outros problemas. Não há benefício nenhum nesse aumento de peso durante a gestação.

Qual deve ser a frequência dos movimentos do bebê?

Isso depende muito de cada bebê, de cada mãe. Esses movimentos são muito subjetivos. Não existe um padrão de normalidade e isso cria muita ansiedade. Mas o importante é a mãe ficar tranquila, fazer seu pré-natal e saber que se tudo estiver correndo bem, se ela estiver saudável, o bebê também vai estar.

Em que casos são indicados o parto normal ou a cesariana?

Sempre é indicado o parto normal. São raros os casos em que se indica cesariana, como, por exemplo, em casos que existem uma obstrução à passagem do bebê, se a criança é muito grande em relação à bacia da mãe ou ainda no caso de alguma patologia, entre outras situações.

Ainda há mulheres com medo do parto normal, não é mesmo?

É verdade. Elas têm medo da dor. Mas hoje há anestesia para este momento, com a qual a gestante não vai sentir dor nenhuma e vai ter um parto absolutamente saudável, melhor para ela e para seu filho, com um pós-parto muito mais tranquilo. O parto normal não é normal à toa, é fisiológico.

Qual a importância do bom relacionamento entre médico e paciente durante a gestação?

O pré-natal não são só aquelas consultas mensais que ocorrem durante os nove meses de gestação. O pré-natal se dá durante todos os noves meses, a qualquer dia, qualquer hora. Às vezes, a paciente tem uma dúvida e não está na hora da consulta. E o bom relacionamento com o médico obstetra vai dar a liberdade que a gestante quer para sanar essa dúvida a qualquer momento.