Você é uma mãe superprotetora?
Por instinto, mães já nascem protetoras. Elas são sempre sinônimo de amor e isso é ótimo. O problema é quando a proteção vira superproteção, a ponto de prejudicar o desenvolvimento dos filhos. A mãe superprotetora sufoca e limita a ação dos filhos, o que acaba anulando não apenas os dois, mas também todo o núcleo familiar. Identificou-se? Confira a entrevista que o Manual da Mamãe fez com o psicólogo Dr. Maurício Pinto e avalie-se:

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Quais as características de uma mãe superprotetora?

São aquelas mães “grudadas” em seus filhos (as), que não “confiam” na capacidade deles e se antecipam, muitas vezes, em resolver qualquer dificuldade que venham a ter, estudam com os filhos, mesmo sem precisar, não os deixam viajar com amigos ou parentes por não “confiarem” nos filhos nem que as pessoas possam cuidar deles como “só” elas poderiam fazê-lo, entre tantas outras atitudes inadequadas para o desenvolvimento saudável emocionalmente destas crianças e futuros adultos.

Que “tipo” de mãe está mais sujeita a se tornar superprotetora? Como essa característica acaba se formando na mãe? É algo instantâneo ao nascimento do filho?

As mães que têm mais probabilidade de se tornarem superprotetoras são as que normalmente são muito cobradas por seus maridos, pela sociedade e, principalmente, por elas mesmas. Também podem se tornar controladoras as mães que estejam vivendo relações afetivas conflituosas ou inadequadas, e, então, passam a focar em excesso seus filhos, muitas vezes como fuga. Mães que têm ou tiveram uma relação difícil com suas mães podem trazer esta característica desde cedo.

A percepção da mulher em relação a isso é complicada. Por quê? Quem pode ajudá-la?

Proteger as crianças é uma das funções impostas pela sociedade para as mães e pais. Proteger os filhos é, sem dúvida, muito bom e muito positivo. Assim, muitas mães o fazem pensando que se é bom, quanto mais, melhor, e, portanto, não percebem quando estão exagerando ou superprotegendo os filhos.

Em que aspectos uma mãe superprotetora prejudica seu filho durante a infância? Prejudica o desenvolvimento dele?

Ao exagerar na proteção de seus filhos, as mães indiretamente impedem que eles cresçam emocionalmente e adquiram autonomia para realizarem as tarefas relativas à sua idade, criando, assim, crianças muito mimadas, inseguras, em um mundo sem frustrações que, na verdade, não existe, podendo, inclusive, dificultar a socialização destas crianças, que por vezes não aprendem a dividir, ceder, e olhar o outro, quesitos muito importantes na vida em sociedade das crianças e adultos.

Pode também acabar afetando a vida adulta dele de alguma forma? Por quê?

A criança que não “olha” o outro, que não passa por situações de frustração, não aprende a lidar com perdas, que não adquire autonomia, pode gerar um adulto com estas mesmas características, um adulto inseguro, dependente, sem poder de iniciativa e ousadia e até dificuldade de relacionar-se adequadamente no aspecto socialização.

Que ações essa mãe pode fazer para encontrar o equilíbrio?

Acreditarem mais na capacidade dos seus filhos para solucionarem ou resolverem suas tarefas e desafios. Costumo dizer para as minhas pacientes mães: “andem atrás de seus filhos, não na frente, deixem que eles tentem, mesmo que errem, depois vocês corrigem, digam ‘não’ sem culpa ou medo de frustrá-los ou mesmo de serem julgadas por outros, e evitem dar tudo de forma incondicional, é importante que as crianças percebam o valor das coisas e aprendam a conquistá-las.”

É possível deixar de ser uma mãe superprotetora? Como?

Sim, mas é necessário que estas mães busquem trabalhar suas próprias inseguranças, suas ansiedades, passem a se cobrar menos e preocuparem-se menos com a avaliação externa, e com isto se valorizarem e se respeitarem mais.

Um tratamento psicoterapêutico pode ajudar?

Sim. A terapia tem como objetivo justamente dar este suporte na busca do equilíbrio emocional, diminuindo, assim, a ansiedade, ajudando as mães a resgatarem o amor próprio, a autoestima e autovalorização, o que as farão estarem mais atentas a si mesmas e às necessidades mais imediatas do dia a dia, como investir em seus relacionamentos afetivos e sociais e em si mesma, aliviando a pressão e a superproteção sobre os filhos.

Você é superprotetora?

• Identifique e descreva as situações que despertam a sua ansiedade ao cuidar de seus filhos;

• Tenha uma escuta atenta e crítica quando alguém diz que você superprotege seus filhos. Dialogue com esta pessoa;

• Como anda seu grau de exigência nas atividades realizadas por você? Como anda seu grau de exigência nas atividades realizadas pelos entes que estão ao seu lado?

• Seu filho parece infantil ou mais dependente de você em ambientes sociais?

• O tempo para os cuidados consigo e nas tarefas cotidianas parece insuficiente?