Quais os sinais do autismo na primeira infância?

Comprometimento no comportamento social, na comunicação e na linguagem, além de uma gama estreita de interesses e atividades que são únicas para o indivíduo e realizadas de forma repetitiva. Essas são características do transtorno do espectro autista (TEA), que acomete uma em cada 160 crianças, segundo dados da Organização Panamericana de Saúde (OPAS). Para identificá-lo ainda na infância é preciso estar atento a alguns sintomas.

A neuropediatra Alinne Rodrigues Belo explica que esse é um transtorno do neurodesenvolvimento e que apesar de cada criança ser diferente da outra, alguns sinais são semelhantes. “As crianças com TEA apresentam dificuldades ou limitações na comunicação e na interação social, atraso na linguagem verbal e não verbal e dificuldade de socializar com crianças da mesma idade e até mesmo com familiares”, revela.

Segundo a especialista, a maioria dos sintomas do transtorno do espectro autista costuma já estar presente entre 12 e 18 meses de vida e ela destaca outros pontos a serem observados. “Essas crianças possuem interesses restritos e repetitivos, com comportamentos estereotipados e rígidos, além de dificuldades de tolerar mudanças na rotina. É importante estar atento ainda se a criança perder alguma habilidade que já tinha adquirido, como balbuciar e apontar. Toda regressão é um sinal de alerta para transtornos do desenvolvimento neurológico”, salienta Alinne.

“Outras características são crianças que não apresentam sorriso social, não atendem chamado, não reagem a ruídos e sons do ambiente ou se tem reação exacerbada diante de um som específico. Crianças com dificuldade de manter contato visual, que olha nos olhos de maneira rápida, o olhar não é sustentado. Elas possuem mais interesse em objetos do que na face das pessoas e se interessam muito por objetos que possuem movimentos repetitivos. Crianças que vocalizam pouco, com dificuldade de tolerar o toque, com distúrbios do sono ou irritabilidade elevada”, detalha a médica sobre os sinais de alerta, ressaltando que não é preciso apresentar todos esses pontos em conjunto.

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Tratamento
Ao identificar algumas dessas características, Alinne Rodrigues Belo indica que o primeiro passo é procurar um pediatra, que depois fará encaminhamento para outros especialistas de áreas como neurologia pediátrica, psiquiatria infantil, pediatria com especialização em comportamento e desenvolvimento. “O diagnóstico do transtorno do espectro autista é desafiador, muitas vezes precisa de mais de uma avaliação, pois nem sempre a criança tem todas as características, revela a neuropediatra.

Porém, mesmo com a suspeita do autismo, a médica ressalta que já é importante iniciar o tratamento. “Ele é feito com uma equipe multidisciplinar, pode envolver psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, musicoterapeutas, ecoterapeutas, hidroterapia e em alguns casos terapia com psicomotricidade. Serão traçados caminhos que consistem, basicamente, em estimulação e reabilitação de sintomas”, explica ela, contando ainda que o acompanhamento é individualizado e de acordo com os tipos e os graus dos sintomas apresentados.

O autismo não tem cura, mas é reabilitável e seu tratamento é por tempo indeterminado. “Muitas vezes é para a vida toda. O objetivo é fazer com que a criança tenha autonomia, independência, melhora da socialização e desenvolvimento adequado da linguagem. Em muitos casos o tratamento é modificado com o tempo, o número de sessões pode ir variando com cada profissional envolvido”, detalha Alinne sobre o transtorno, que possui três graus, leve, moderado e grave. “O leve é quando se torna uma pessoa adaptada, o moderado é quando tem sub respostas às terapias e o grave é aquele que mesmo com as terapias não possui boa evolução”, explica.

Origem
De acordo com a neuropediatra, a causa exata do transtorno do espectro autista ainda não foi completamente definida pela medicina. “O que se sabe é que tem base genética e esses genes são influenciados por transtornos ambientais, os quais ainda estão em estudos. Além disso, já temos conhecimento que o acúmulo de agrotóxico nos alimentos ao longo dos últimos 30 anos, o uso excessivo de eletrônicos, o consumo de alimentos industrializados e transgênicos estão sim interferindo na expressão dos nossos genes e fazendo com que o espectro esteja cada vez mais presente”, afirma.

Alinne Belo salienta que é importante as pessoas estarem mais conscientes. “O que a sociedade precisa entender é que, não só o autismo, mas todos os transtornos do desenvolvimento da infância são extremamente prevalentes e comuns no nosso dia a dia e estão se tornando cada vez mais frequentes. É importante que haja esclarecimento da população, das crianças, da escola. Existe muito preconceito porque as pessoas rotulam, não entendem os comportamentos”, conta a especialista.

 

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