Hora da avaliação oftalmológica!
O desenvolvimento da visão na criança depende de uma correta estimulação cerebral nos primeiros anos de vida. Ao nascer, toda a estrutura cerebral que suporta a função visual está presente. E para que se torne funcional, é necessário que receba nos primeiros anos de vida (e sobretudo nos primeiros meses) imagens de qualidade, que sejam focadas de forma correta e simétrica pelos dois olhos. Por isso, para que tudo corra bem, durante a infância, os pais devem obrigatoriamente prestar atenção no desenvolvimento ocular e tomar as devidas providências quando algum sinal anormal surgir.

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Em entrevista ao Manual da Mamãe, o oftalmologista Dr. Fernando Ferreira fala sobre a importância da avaliação visual na infância, enfatizando que a atenção dos pais aos problemas oculares dos filhos deve começar muito cedo, logo após o nascimento da criança. “Com uma avaliação oftalmológica precoce, consegue-se prevenir diversas complicações de uma infinidade de patologias”, ressalta. Confira a entrevista completa com o especialista:

Quando os pais devem levar os filhos a uma consulta oftalmológica? Por quê?

Como orientação, sugiro que a primeira consulta oftalmológica seja realizada nos primeiros 30 dias de vida. Essa consulta é obrigatória para bebês prematuros, principalmente aqueles com alto risco de desenvolver complicações em decorrência da prematuridade, os que nasceram com 30 semanas ou menos de gestação e abaixo de 1.000 gramas de peso, e também tenham recebido transfusões sanguíneas ou tenham adquirido um quadro infeccioso grave. Prematuros, às vezes, dependendo do estágio evolutivo em que se encontra sua retinopatia da prematuridade, pensando em prognóstico, o tempo é de apenas 72 horas.

Qual a importância da avaliação oftalmológica precoce?

Com uma avaliação oftalmológica precoce, consegue-se prevenir diversas complicações de uma infinidade de patologias, como detectar uma simples ametropia (alta hipermetropia, miopia e alto astigmatismo), que se não corrigidas precocemente podem impossibilitar o pleno desenvolvimento visual e até desencadear um estrabismo.

Quais são as principais doenças visuais que acometem as crianças?

Diversas são as doenças que acometem os olhos, entre elas estão as ametropias anteriormente citadas, catarata, persistência do vítreo primário hiperplásico (malformação), retinoblastoma (tumor intraocular e altamente maligno), toxocaríase, toxoplasmose, doença de coats, e as diversas inflamações intraoculares, originadas de uma reação a um processo inflamatório ou infeccioso local ou sistêmico.

Como os pais podem perceber alguma alteração no desenvolvimento da visão da criança?

Os pais podem e devem estar atentos a qualquer variação do comportamento da criança e de seus olhos, tais como aproximação acentuada da televisão ou do caderno, atitudes de ficar piscando os olhos constantemente, perda do paralelismo ocular, muito incômodo com a claridade, dores de cabeça constantes, principalmente as frontais, quedas frequentes da própria altura, acidentes frequentes dentro de casa, tais como trombadas, qualquer irritação ou vermelhidão ocular, ou mesmo qualquer observação que eles fizerem são de suma importância e devem servir de justificativa a uma consulta oftalmológica.

Pais e professores precisam ficar atentos ao desenvolvimento visual da criança, uma vez que grande parte do aprendizado ocorre através da visão?

Tanto os pais como os professores devem sim ficar atentos ao desenvolvimento visual da criança. Uma das manifestações mais corriqueiras nas salas de aula é a desatenção e o déficit no aprendizado, podendo ter como causa a baixa de visão.

Com que frequência deve ser realizado o acompanhamento oftalmológico da criança?

Não existe uma regra em relação à frequência com que os pais têm que levar seus filhos ao consultório oftalmológico. Porém, mediante qualquer alteração percebida pelos pais se torna necessário uma visita para esclarecer suas dúvidas. Volto a enfatizar a importância da primeira consulta ser dentro dos 30 dias de vida. Uma segunda deve ser realizada três meses após a primeira, destinada a avaliar seu desenvolvimento sensorial, pois a criança estará dentro do período de maior desenvolvimento sensorial e caso perceba-se qualquer injúria, deve ser prontamente tratada. As demais consultas devem ser feitas a cada seis meses até os 7 anos de idade, quando se finda a plasticidade neurosensorial. Após os 7 anos, oriento acompanhamento igual ao de um adulto, ou seja, anual. Dessa forma, é possível minimizar as complicações que impossibilitam o pleno desenvolvimento visual.

Fique por dentro!

• Estudos mostram que a acuidade visual se desenvolve de forma rápida entre o primeiro e o sexto mês de vida e mais lenta após esse período.

• Ao nascimento, a sensibilidade aos contrastes (habilidade para discernir pequenas diferenças na luminosidade de superfícies adjacentes) é pobre e se aprimora rapidamente durante o primeiro ano de vida, chegando a atingir aos 4 anos, aproximadamente, a sensibilidade de um adulto.

• O campo visual passará de uma amplitude de 60 graus aos três meses para 180 graus aos seis meses.

• A miopia, geralmente, começa a estar presente a partir dos 8 anos, a não ser nas formas congênitas caracterizadas por alto grau.

• A visão requer de cinco a seis anos para o seu desenvolvimento e apresenta certa vulnerabilidade até os nove anos.

• A visão é o sentido que fornece mais dados do meio ambiente e é a única capaz de organizar outras informações sensoriais.

• A deficiência visual na infância, ao limitar o número de experiências e informações, interfere no desenvolvimento motor, cognitivo e emocional.

• Fatores etiológicos, idade de acometimento, presença de outras deficiências, aspectos ambientais e suas interações determinam dificuldades e defasagens na criança.

• Os resultados da detecção de doenças oculares e intervenções precoces são melhores do que quando realizadas tardiamente, após o período de desenvolvimento visual.