Primeira suspeita de coronavírus é confirmada no Brasil
O Ministério da Saúde confirmou, nesta terça-feira (28/01), o primeiro caso suspeito de coronavírus no Brasil. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, informou que a pasta investiga uma paciente de 22 anos que apresentou sintomas compatíveis com os da doença. Ela é estudante esteve em Wuhan, na China, e retornou ao Brasil na última sexta-feira (24/01).

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Ele informou ainda que a estudante está em um hospital de alta organização na área de infectologia. Todas as 14 pessoas que tiveram contato com ela também estão sendo monitoradas. Agora, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está levantando os outros viajantes que estavam no voo que viajou da China até o Brasil. O voo da jovem de 22 anos saiu de Wuhan, fez escala em Paris e chegou ao Brasil pelo Aeroporto de Guarulhos. De Guarulhos, a jovem ainda pegou outro voo até o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, onde desembarcou.

De acordo com Mandetta, a paciente monitorada relata não ter ido ao mercado de peixes da cidade, não ter tido contato com nenhuma pessoa doente e não ter procurado nenhum serviço de saúde enquanto estava na cidade. Foi informado ainda que a jovem passa bem.

O ministro confirmou também que o nível de alerta do Centro de Operações de Emergência (COE), instalado na última quinta-feira (23/1), subiu. Até nessa terça, o COE trabalhava com o nível de alerta 1 e passou para 2, em uma escala de 1 a 3.

O Ministério da Saúde diz ter recebido, desde o início do surto de coronavírus na China, "mais de 7 mil rumores" de infecção. Desse total, 127 exigiram verificação do órgão e apenas um se confirmou como suspeita, o da jovem de 22 anos.

Criança brasileira

Segundo informações de um site da rede local ABS-CBN News da Filipinas, uma criança brasileira de 10 anos também está em isolamento com suspeita de coronavírus, devido à febre e dificuldades para respirar.

Sua família também foi colocada em isolamento no hospital de Puerto Princesa, em Palawan, Filipinas. De acordo com o veículo, o pai da criança também estava com dor de garganta.

Viajar

O Ministério da Saúde emitiu comunicado orientando que brasileiros evitem viajar à China ou embarquem somente em casos de extrema necessidade por causa do surto de coronavírus. A doença provocou 106 mortes na China, onde o número de infectados passa de 4,5 mil.

“Nós desaconselhamos e não proibimos as viagens para a China. Não se sabe, ainda, qual é a característica desse vírus que é novo; sabemos que ele tem alta letalidade. Não é recomendável que a pessoa se exponha a uma situação dessas e depois retorne ao Brasil e exponha mais pessoas”, disse o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Desde o dia 24 de janeiro, os aeroportos da Infraero começaram a veicular um aviso sonoro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre o coronavírus.

"Se você tiver febre, tosse ou dificuldade para respirar, dentro de um período de até 14 dias, após viagem para a cidade de Wuhan, na China, você deve procurar uma unidade de saúde mais próxima e informar a respeito da sua viagem", diz o aviso.

O alerta indica ainda que os passageiros lavem as mãos frequentemente com água e sabão. E caso não seja possível, usem álcool em gel.

"Cubra o nariz e a boca com lenço descartável ao tossir ou espirrar. Descarte o lenço no lixo e lave as mãos. Evite aglomerações e ambientes fechados, procurando manter os ambientes ventilados. Não compartilhe objetos de uso pessoal como talheres, pratos, copos ou garrafas. Procure o serviço de saúde mais próximo", completa o alerta.

O que se sabe

A variação que está infectando diversas pessoas na China e em outros 12 países é conhecida tecnicamente como 2019-nCoV. Ainda não está claro como ocorreu a mutação que permitiu o surgimento do novo vírus.

Também não se sabe como se deu a primeira transmissão para humanos, a suspeita é que foi por algum animal silvestre, mas ainda não se sabe qual foi o responsável nem como ele transmitiu a doença, e nem mesmo se o novo vírus está associado a animais marinhos. Entretanto, uma pesquisa de cientistas chineses diz que a hipótese mais provável é que o animal seja uma cobra.

Cientistas do Colégio Imperial de Londres estimaram que a taxa de transmissão do novo coronavírus entre humanos é de duas a três pessoas para cada paciente infectado. O relatório, divulgado em 25 de janeiro, é preliminar e foi feito a partir de modelos computacionais baseados em dados de epidemias anteriores.

Foram identificados sintomas como febre, tosse, dificuldade em respirar e falta de ar. Em casos mais graves, há registro de pneumonia, insuficiência renal e síndrome respiratória aguda grave.