Mulher de 35 anos morre com suspeita de Covid-19 e deixa duas filhas pequenas
O empresário Renato Puerta Garcia está bastante abalado com a morte repentina da esposa, Samanta Santos Faria, de 35 anos, por suspeita de Covid-19 no último dia 24. Ela deixou duas filhas pequenas, Maria Clara, 2 anos, e Valentina, 9 meses.

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Em depoimento a um veículo de comunicação nacional, ele contou como a gripe da esposa se agravou. "Há mais ou menos dez dias, ela ficou gripada, mas não tinha nada de febre. Mesmo assim, foi ao pronto socorro porque estava se sentindo bastante cansada. Passaram remédios para gripe comum e pediram para ela aguardar em casa e, caso o quadro se agravasse, que voltasse ao hospital."

Ele disse que a esposa não foi mais trabalhar, mas tinha apresentado melhora e até pediu um bolinho para comemorar o aniversário dele no dia 17/03. Mas já no outro dia Samanta estava com falta de ar e pediu ao marido que a levasse ao hospital.

Grave

"Fomos ao Hospital Santa Rita (SP) e eles não queriam recebê-la porque disseram que não tinham estrutura e que o caso dela era complexo. Mas eu insisti porque ela estava bem mal, tanto que saiu do carro de cadeira de rodas. Eles fizeram o pronto-atendimento e já pediram uma ambulância para levá-la para outro hospital do convênio que tivesse estrutura e uma UTI preparada para recebê-la. Fomos para o hospital Santa Clara (SP) e lá fizeram raio-X do pulmão e viram a gravidade", relatou.

Renato conta que, segundo os médicos, ela tinha todos os sintomas da Covid-19. "Eles estavam com falta do teste do coronavírus, mas ela estava sendo tratada o tempo todo como suspeita da Covid-19." De acordo com ele, dois dias depois os testes chegaram e recebeu a informação de que o resultado demoraria de 7 a 10 dias para sair.

Segundo Renato, no dia 21, ela teve uma pequena melhora e, no dia 23, o quadro evoluiu para gravíssimo. "O rim estava comprometido e os médicos entraram com hemodiálise e estavam tentando de tudo para salvá-la. Mas, infelizmente tivemos a triste notícia, no dia 24 (terça-feira), que ela faleceu e teve falência múltipla de órgãos." O resultado do exame ainda não saiu.

Luto

Renato decidiu não fazer um velório para a esposa para não expor os pais dela, que são de outra cidade, nem os dele, que são idosos.

"É muito difícil não poder se despedir, mas tomei essa decisão porque não quero colocar ninguém em risco. Estamos ainda aguardando o resultado do exame. Depois que tudo passar, eu vou fazer uma cerimônia íntima para nos despedirmos do jeito que ela merecia", planeja.

E continua: "A Samanta era jovem, cheia de vida, não tinha nenhuma outra doença e estava bem. Quando soube que ela tinha falecido, fui para a pracinha para ver o pôr-do-sol e rezar para que ela tivesse uma passagem iluminada e que encontrasse a paz. Acho que não vou ter coragem de contar nada para as minhas filhas, elas são pequenas e nem falam direito. Vou deixar passar, um dia depois do outro. Não consigo pensar em mais nada. Agora sou eu e minhas duas bebezinhas.”

Por enquanto, está isolado das duas filhas. Elas estão em um outro apartamento com a babá. "Eu só sai do isolamento para resolver as burocracias todas porque ela será cremada amanhã ou depois."

Nota do hospital

Em nota, o Hospital Santa Clara disse que: “Em 18/3, o Hospital Santa Clara atendeu em seu serviço de pronto atendimento uma paciente do sexo feminino, 35 anos, SFS, com quadro de franca insuficiência respiratória, não há relato em prontuário de comorbidades associadas.

Paciente avaliada clinicamente pelos plantonistas do serviço com solicitação de painel de doenças respiratórias onde resultados foram negativos e exames de imagem onde tomografia de tórax mostrou imagem bastante sugestiva de síndrome respiratória água grave, etiologia provável Covid-19.

Internada em nossa unidade de terapia intensiva, onde evoluiu com insuficiência renal aguda, necessitando tratamento dialítico e intubação orotraqueal para manutenção de ventilação mecânica. Apesar de todos os meios disponíveis e utilizados para tratamento, a paciente foi a óbito em 24.3.

Foram obedecidos todos os protocolos de orientação do sistema de saúde e protocolos internos, os swabs de secreção nasal e orofaringe colhidos foram feitos conforme fluxo estabelecido pela ANVISA e encaminhados na data de atendimento inicial ao Instituto Adolfo Lutz. Até o momento não temos retorno do resultado”

Com informações da Revista Crescer