Mitos e verdades sobre fertilidade feminina

A fertilidade feminina é um território desconhecido para muitas mulheres, e a prova disso são os mitos e tabus que perpetuam o assunto, e que nunca foram muito bem esclarecidos pela medicina tradicional. Para trazer luz sobre o tema e quebrar os paradigmas em torno da reserva ovariana feminina, Natália Ramos Seixas, Ginecologista especialista em Reprodução Humana da Oya Care, desmistifica o assunto e explica que fertilidade vai muito além da maternidade, e que cada caso é um caso. “O corpo da mulher não é uma receita de bolo, e cada uma precisa de avaliação individualizada e personalizada para entender melhor sobre sua fertilidade e diminuir as chances de um dia viver a infertilidade”, explica a médica. 


Confira abaixo os mitos e verdades em torno da fertilidade feminina:


A idade importa

Verdade. O principal fator de infertilidade feminina é a idade. “Claro que não é o único, mas é o primordial. A partir de 35 anos, todas as mulheres têm uma diminuição natural da fertilidade e, por isso, quanto maior a idade, mais dificuldades ela vai enfrentar para conseguir engravidar – se conseguir”, explica Dra. Natália Ramos.


O nosso corpo é capaz de repor a reserva ovariana 

Mito. A fertilidade feminina é limitada e tem prazo para acabar. “Já nascemos com todos os óvulos que vamos liberar durante toda a nossa vida fértil, e eles diminuem com o passar do tempo. Isso significa que a fertilidade feminina cai drasticamente, a partir dos 35 anos, para a maioria das mulheres”. 


A fertilidade da mulher termina na menopausa

Mito. “Geralmente, as mulheres brasileiras entram na menopausa aos 52 anos, mas a fertilidade acaba no climatério, período de transição da fase reprodutiva  e a menopausa, que começa, em média, 10 anos antes”, explica Natália. Mas isso não significa que ela não consiga engravidar. “As taxas de gravidez depois dos 40 anos são bem pequenas, em torno de 5-10%. Mas as chances de um bebê nascido vivo, a partir dos óvulos próprios de uma mulher de 45 anos, é de 1%. Isso ocorre porque as taxas de aborto espontâneo costumam aumentar bastante a partir dos 38 anos”, conclui a especialista.

 

“Eu menstruo normalmente, logo sou fértil”

Mito. Por mais que um ciclo menstrual regulado configure fertilidade, isso não significa que a mulher esteja sempre fértil só porque ainda menstrua. “Algumas mulheres seguem menstruando durante o climatério (período entre a vida fértil e a menopausa) e, mesmo assim, podem ter dificuldades para engravidar”, explica Natália. “Por isso, a Descoberta da Fertilidade é uma das formas mais eficazes de uma mulher saber como está sua reserva ovariana. O resultado do exame HAM (hormônio antimülleriano) juntamente com a teleorientação podem ajudá-la a entender isso com profundidade e ajudá-la a programar sua vida fértil”, complementa a ginecologista. 


A infertilidade é irreversível

Depende. “Nunca dizemos que uma mulher é infértil, mas que ela está infértil. Por isso, muitas buscam tratamento para engravidar e conseguem”, esclarece a médica. “Diversos fatores podem gerar infertilidade, como magreza extrema ou obesidade, tabagismo, por exemplo. Mas com os tratamentos corretos, a mulher consegue driblar essa condição. O único fator que a torna, de fato, infértil permanentemente é a menopausa”, complementa. 


Quem tem Síndrome do Ovário Policístico não consegue engravidar

Mito. 50% das mulheres com SOP engravidam sem nem precisar da ajuda de um especialista em reprodução humana. “Uma mulher com essa condição pode enfrentar alguns desafios, mas nem sempre a infertilidade. Trata-se de um distúrbio hormonal que requer tratamento, mas que não torna uma mulher infértil”, complementa a especialista.


A mulher perde até dois mil folículos por ciclo menstrual

Verdade. Os folículos ovarianos são as células precursoras dos óvulos e, a cada ciclo menstrual, uma mulher pode perder de um a dois mil deles. “Assim como a reserva ovariana, os folículos são limitados. Quando estamos na barriga da nossa mãe, temos oito milhões de folículos e eles só tendem a diminuir. Aos 37 anos, restam, em média, 25 mil deles e, quando esse número chega a um mil, é porque a mulher entrou na menopausa”. 


Usar métodos contraceptivos leva a infertilidade

Mito. Essa é uma crença bastante comum entre as mulheres, principalmente para as que fazem uso de pílulas anticoncepcionais e outros métodos contraceptivos hormonais. “Por mais que a pílula iniba a ovulação em função da carga hormonal, ela não gera infertilidade”, explica Ramos.


A fertilidade não depende apenas da mulher

Verdade. Aproximadamente 20% dos fatores de infertilidade conjugal são masculinos. Isso significa que, a cada 10 casais inférteis, dois estão nessa condição por causa do homem.