Os benefícios da musicoterapia infantil
Quem não se lembra de alguma canção que tenha marcado a infância e sempre se emociona ao ouví-la? O fato é que a música pode fazer um bem enorme, vários estudos confirmam a importância que a música tem para o bem-estar do bebê desde quando ele ainda é um feto e está no ventre da mãe.

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“Tranquilidade, segurança e desenvolvimento das funções de linguagem são alguns dos benefícios proporcionados pela música”, informa a musicoterapeuta do Centro de Musicoterapia Benenzon Luisiana Baldini França Passarini. Saiba sobre a importância da música para o desenvolvimento do bebê com a profissional:

Qual a importância da música para o desenvolvimento do bebê?

A música, naturalmente, agrega ao desenvolvimento da criança a possibilidade de interação social, expressão vocal, gestual e corporal, entre tantos outros aspectos. Quando o contato se dá na sensibilização e educação musical, a criança vivencia o “fazer musical” e esses aspectos são trabalhados de forma direcionada pelo profissional, com repertório específico para cada idade e de acordo com o desenvolvimento neuropsicomotor da criança.

A música é utilizada como um estímulo adicional no processo de estruturação e funcionamento cerebral, que envolve, entre outras, funções motoras, de memória, linguagem, aspectos relacionais e emocionais.

A partir de qual idade a música pode ser introduzida para estimular bebês?

Em musicoterapia, a música é utilizada como um mediador da comunicação. A música facilita a interação com o bebê. Sendo assim, sua indicação seria a partir do nascimento. No entanto, considerando a dinâmica dos primeiros meses pós-parto, nos quais mãe e bebê passam por um período de adaptação e reconhecimento mútuo, oferecemos o trabalho a partir do 4º ou 5º mês. Evidentemente, quando o foco é reabilitação ou provisão de cuidados ao bebê recém-nascido, o trabalho deve ser realizado o quanto antes, logo nos primeiros dias de vida.

Quais são os efeitos da musicoterapia para as crianças?

Se tratarmos da musicoterapia preventiva como estímulo precoce, além dos vínculos afetivos que são estabelecidos prematuramente, o “fazer musical” auxilia no desenvolvimento neuropsicomotor da criança. É a base para uma vida saudável. Pesquisas recentes mostram que as crianças que “fazem música” têm maior facilidade para aprendizado da escrita e leitura, por exemplo. Na musicoterapia como tratamento, utilizamos a música para reabilitação cognitiva, para melhorar a comunicação e interação. Crianças no espectro autista, com síndromes diversas ou lesões cerebrais apresentam respostas muito significativas ao longo do processo musicoterapêutico.

Quais são os benefícios da musicoterapia para as gestantes e para os bebês?

Na musicoterapia, é trabalhado essencialmente o vínculo entre mãe e bebê, em que a gestante pode descobrir formas diferenciadas de comunicar-se com seu bebê antes de seu nascimento e estabelecer com ele uma relação única, forte e segura. Esses momentos são únicos e abrem espaço para que a gestante possa olhar para si e cuidar de si, o que traz a ela segurança, tranquilidade e controle do estresse e ansiedade.

O aparelho auditivo do bebê está todo desenvolvido aproximadamente na 20a semana da gestação. Assim, teoricamente, é quando ele passa o ouvir os sons internos e externos e responder a eles. No entanto, a percepção sonoro-musical vai além das vias auditivas; sons e músicas são percebidos muito anteriormente, como movimentos, vibrações, pela percepção tátil do bebê; ele recebe e percebe sons através da pele e das ressonâncias de seu corpo com o corpo da mãe; os batimentos cardíacos da mãe e dele próprio, os movimentos peristálticos do corpo da mãe, os sons das articulações, dos movimentos e das falas, principalmente as da mãe.

Por isso, a partir do momento em que a mulher sabe que está grávida, ela pode dar início aos cantos, brincadeiras e conversas com o bebê. Assim ela se sentirá mais próxima e dará estímulos ao filho, que auxiliam no seu desenvolvimento.

Como é desenvolvida a musicoterapia durante a gestação?

Os encontros são semanais e podem ser em grupo ou individuais. Através de sons, músicas, canções e elementos sonoro-musicais trabalhados nas sessões de musicoterapia, a gestante pode relacionar-se intensamente com seu bebê, ajudando-o em seu desenvolvimento intrauterino. O fortalecimento do vínculo afetivo entre ambos propicia maior tranquilidade e segurança no pré-natal, parto e pós-parto e pode facilitar, inclusive, o processo de amamentação.

Fique por dentro!

• Algumas pesquisas apontam que os bebês pequenos são capazes de identificar melodias, idiomas e vozes que ouviram dentro da barriga e que mostram predileção pela voz e idioma maternos!

• Quando a mãe canta, o som chega ao bebê mais diretamente, com menos barreiras do que chega o som externo. Assim, uma música cantada pela mãe certamente será melhor “assimilada” pelo feto do que uma música vinda de fonte externa.

• Mais importante que ouvir música é fazer música “para” e “com” o bebê. Cante para ele, faça um som diferente. Interagir por meio da música é o mais importante!

• Quando cantar para o bebê, observe a reação dele. Seus movimentos, gestos, vocalizações, sorrisos ou choro. É importante identificar quais sensações estão sendo criadas.