Mordida errada: como prevenir e tratar
Sucessivas gerações de crianças crescem e se desenvolvem sem cáries. A maioria sequer ouviu falar em brocas de dentista ou anestesia. Desconhece o que é dor de dente. Desde pequenos já reconhecem como se proteger das cáries: escovar os dentes com creme dental com flúor e usar fio dental após as refeições. Sem esquecer, é claro, de uma visita preventiva ao dentista. Em contraste, outro grande problema tem sido muito frequente: a má-oclusão ou mordida errada. Para auxiliar e esclarecer a respeito, entrevistamos a especialista em odontopediatria e ortopedia funcional dos maxilares Dra. Cecília Abrahão:

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Como identificar se meu filho tem problema de má-oclusão?

A única forma de identificar esse problema é levando seu filho o quanto antes para uma consulta ao odontopediatra. A boa notícia é que, assim como as grandes conquistas na prevenção das cáries, a odontologia dispõe de uma especialidade voltada à prevenção e tratamento da mordida errada, que inicia na infância. Esta especialidade chama-se Ortopedia Funcional dos Maxilares ou OFM. Aliada à odontopediatria, a OFM completa um arsenal de poderosos recursos para corrigir o problema da mordida errada no seu início. Cabe ressaltar que, no tratamento da mordida errada, a tradicional orientação “tem de esperar” está descartada e deve ser substituída por uma nova visão: acompanhar o desenvolvimento equilibrado, ao invés de acompanhar o agravamento do desequilíbrio.

Por que tratar a má-oclusão o quanto antes?

A má-oclusão ou mordida errada ocorre em cerca de sete entre dez crianças ainda com dentes de leite. Quando se inicia na infância, pode se tornar muito agravada na adolescência, afetando a estética e as funções orofaciais e influenciando, portanto, no bem-estar psicológico e social da criança. Outro fator importante a considerar é que, na fase de crescimento, toda a estrutura dental da criança está em desenvolvimento e os dentes estão sendo guiados para a posição pelos lábios, bochechas e língua. Qualquer alteração de funcionamento correto destes músculos poderá causar um mau desenvolvimento esquelético da criança. O ortopedista funcional dos maxilares vigia cada etapa do desenvolvimento da dentição, sempre com o objetivo de proporcionar a construção de um belo sorriso. Muitas vezes, a mordida errada pode ser resolvida com medidas simples, sem o uso de aparelhos. O especialista em OFM usa uma técnica chamada ajuste oclusal. Não dói nada e pode resolver o problema em poucas consultas. Em outras situações, quando necessário, pode-se associar o uso de aparelhos ortopédicos funcionais. Estes não provocam dor, melhoram a estética do rosto, auxiliam a respiração pelo nariz, melhoram a forma de engolir, falar e mastigar.

 

A respiração pela boca pode prejudicar o desenvolvimento das arcadas dentárias?

Além de prejudicar a qualidade de vida da criança, a respiração bucal é um fator muito importante, ligado ao estabelecimento e agravo das mordidas erradas. Por isso, deve ser controlada e tratada o quanto antes pelo médico especialista nesta área.

 

O que pode ser feito para tornar o tratamento do meu filho mais confortável?

Atualmente, os equipamentos odontológicos, de um modo geral, são de fabricação mais funcional e de aparência menos ameaçadora. Quando instalados em ambientes agradáveis, são aceitos sem receio pelas crianças. Neste ambiente, e com conhecimentos adequados de psicologia infantil, nossa equipe está preparada para motivar e ganhar a confiança de seu filho, para realização das intervenções que se fizerem necessárias. Além disso, existe a técnica de Sedação com Óxido Nitroso, a qual é uma inovação na “Odontopediatria sem Medo”. O objetivo é o controle da dor, medo e ansiedade, proporcionando ao paciente ansioso ou fóbico uma ligeira sedação e leve analgesia, através da inalação monitorada e controlada de Óxido Nitroso e Oxigênio.

 

Mordida errada? Tô fora!

• Do nascimento até o aparecimento dos primeiros dentes de leite: amamentar exclusivamente no peito é suficiente para saúde geral do bebê e um excelente estímulo para o desenvolvimento da boca.

• Até completar todos os dentes de leite (cerca de dois anos e meio de idade): com o desmame natural, fazer a introdução gradativa de alimentos sólidos com variada textura, sabor e cor, aumentando gradativamente sua consistência, optando por alimentos mais fibrosos, que exijam esforço mastigatório, como vegetais. Evitar o uso de líquidos durante as refeições.

• Até o aparecimento do primeiro molar permanente (cerca de seis anos de idade): oferecer fartamente alimentos ricos em fibras, frutas, verduras, cereais, restringindo o uso de bebidas altamente calóricas, como refrigerantes gasosos e sucos adoçados.