Tire suas dúvidas sobre parto

No início do século XX a maioria dos partos era domiciliar e atendido por parteiras leigas. Na transição para os hospitais, os partos passaram a ser atendidos em ambiente cirúrgico e tratados como cirurgias. Assim, várias rotinas foram introduzidas, sem porém terem respaldo científico.  A partir das décadas de 70 e 80 essas rotinas, como jejum, raspagem de pêlos, episiotomia, entre outras, começaram a ser questionadas e estudadas, o que tem resultado em procedimentos hoje mais naturais e humanizados. A seguir, o ginecologista e obstetra Dr. Carlos Miner Navarro e a doula e educadora perinatal Patrícia Bortolotto explicam os novos conceitos na assistência ao parto aplicados atualmente:

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Devo ficar em jejum antes do parto?

Não é necessário ficar em jejum, você pode ingerir líquidos e alimentos leves.

Preciso raspar pelos e fazer lavagem intestinal?

Não precisa raspar pelos nem fazer lavagem, mas se você preferir fazer, podem ser feitas na hora da internação.

O parto precisa ser sempre no centro cirúrgico?

Nas maternidades brasileiras a maioria dos partos ocorre no centro cirúrgico, mas algumas dispõem de suítes de parto externas.

A episiotomia é necessária?

Apesar de ter sido praticada rotineiramente por quase um século, hoje sabemos que raramente é necessária.

É necessário realizar toques vaginais?

Para avaliar o progresso do trabalho de parto, realizam-se toques vaginais para estimar a dilatação do colo uterino e a descida da cabeça do feto.

É necessário romper a bolsa?

Não se deve romper a bolsa de forma rotineira, mas em algumas situações, pode ser necessário romper a bolsa para avaliar o líquido amniótico ou para estimular as contrações uterinas.

Qual melhor posição para a parto?

Posições verticalizadas como cócoras e laterais são as recomendadas. Na verdade, a gestante deve ser encorajada a ficar na posição em que se sinta mais confortável.

Como deve ser feita monitorização fetal?

Recomenda-se monitorar o feto auscultando os batimentos cardíacos de forma intermitente para a maioria dos casos. Quando há suspeita de anormalidade, pode ser feita a monitorização continua com um aparelho chamado cardiotocógrafo.

Quais recursos para alívio da dor posso usar?

Podem ser usados massagem, calor local, água quente do chuveiro ou por imersão, analgesia inalatória com uma mistura de gás e oxigênio, medicamentos e analgesia realizada pelo anestesista.

Ainda se usa fórcipe?

Estima-se que em torno de 10 a 15 % dos partos podem necessitar de assistência para retirar o bebê. Hoje, se pode usar o fórcipe e o vácuo-extrator (ventosa) e em breve estará disponível um outro dispositivo, o odón device.

Posso ficar com o bebê imediatamente e esperar para que o cordão seja cortado?

Recomenda-se que se o bebê nasceu em boas condições seja colocado em contato pele a pele com a mãe e que o cordão seja cortado após um a três minutos ou quando parar de pulsar

Posso ter um acompanhante no parto?

Sim, você pode ter um acompanhante de sua escolha. É um direito garantido por lei. É importante que esse acompanhante possa efetivamente te ajudar e ter conhecimento das suas vontades em relação ao parto.

É recomendável contratar uma doula?

Doula é uma profissional que presta assistência física e emocional durante a gravidez, parto e pós-parto. Durante a gravidez, ela oferece orientações sobre vários aspectos da gravidez e do parto, deixando a gestante mais preparada para o grande momento. Durante o parto ela orienta quanto ao momento de ir para a maternidade, fica o tempo todo ao lado da gestante provendo apoio físico, com massagens, e emocional, com incentivos e esclarecimentos sobre o que está ocorrendo em cada fase do parto. Diversas pesquisas demonstraram que a presença da doula melhora vários aspectos do parto, diminui a necessidade de analgesia farmacológica, a taxa de cesáreas, o tempo do trabalho de parto e aumenta o número de impressões positivas sobre a experiência do parto. A doula não substitui o acompanhante e inclusive orienta como ele pode ajudar a mulher em trabalho de parto e muitas vezes oferece apoio também ao acompanhante para que ele entenda o processo.