Mal-estar ou complicação? Como saber a diferença na gestação
Atenção, mamães de primeira ou mais viagens: com a confirmação da gravidez é comum que muitas mudanças ocorram e vários sintomas típicos dessa fase apareçam. O importante é saber diferenciar o que é normal daquilo que pede maiores cuidados. Com a ajuda do ginecologista e obstetra Dr. Domingos Mantelli, o Manual da Mamãe listou algumas situações para você aprender a distinguir um mal-estar típico dessa fase de uma complicação inesperada:

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Corrimento: ter uma secreção vaginal incolor aumentada na gravidez é normal. Porém, corrimentos brancos, amarelados, esverdeados ou acinzentados devem ser investigados pelo risco de serem causados por algum fungo ou bactéria. Nesse caso, se não tratado, pode resultar em parto prematuro e ruptura da bolsa antes do tempo.

Dor abdominal: dores podem ser comuns nessa fase, mas devem ser avaliadas pelo médico quando são persistentes e vão aumentando com o passar do tempo. Dores abdominais podem ser simples cólicas ou gases, mas também podem indicar algo mais grave, como apendicite, pedra na vesícula etc.

Prisão de ventre: é muito comum nessa fase, já que os movimentos intestinais diminuem por causa dos hormônios da gestação e isso faz com que os alimentos fiquem mais tempo no tubo digestivo. Sendo assim, absorvem mais água e ressecam, gerando a prisão de ventre.

Dor nas costas: é comum que as dores lombares aumentem conforme a gestação avança, pois a barriga cresce e a mulher tende a compensar esse peso jogando as costas pra trás, criando, assim, uma lordose. Dores crônicas devem ser investigadas para descartar hérnias de disco, pedras nos rins etc.

Falta de ar: a falta de ar na gestação costuma ser mais comum no terceiro trimestre, já que o crescimento do útero empurra os outros órgãos pra cima e comprime os pulmões, diminuindo sua capacidade de expansão, o que provoca falta de ar até mesmo aos mínimos esforços. Já a falta de ar persistente e no início da gravidez pode ser decorrente de uma crise asmática, broncoespasmo ou pneumonia e deve ser investigada.

Dor de cabeça: dores de cabeça são comuns mesmo fora da gestação. Nesse sentido, a gestante deve estar atenta à sua pressão arterial. Muitas vezes, quando a pressão está alta, as dores de cabeça ocorrem. Caso a pressão esteja normal, não há com o que se preocupar. Porém, se forem dores persistentes, elas devem ser investigadas para descartar crises de enxaqueca e até mesmo alguma isquemia cerebral.

Sangramentos: sangramento nenhum é normal durante a gestação. Todos devem ser investigados pelo obstetra. Pode se tratar de algo simples e sem riscos, como por exemplo um machucado no colo do útero que sangra após uma relação sexual, ou tratar-se de uma coisa mais grave, como um descolamento de placenta. Na dúvida, sempre consulte seu médico.

Febre: toda febre deve ser investigada já que mostra que algo não está bem no organismo. Pode significar uma infecção de urina, pneumonia, infecção genital, sinusite etc. Independente do diagnóstico, a doença deverá ser tratada com medicamentos que possam ser usados durante a gravidez.

Inchaços: são muito comuns, principalmente no terceiro trimestre e quando o tempo está mais quente. Mesmo assim, o obstetra deve avaliar para descartar síndromes hipertensivas ou tromboses venosas.

Perturbações na visão: na gestação, pelo edema causado no nervo óptico, pode ocorrer alteração na visão da gestante. Porém, é um processo passageiro que tende a voltar ao normal logo após o parto.

 

Mitos e verdades

Além de ficar atenta aos sintomas típicos da gestação, como os descritos anteriormente, é bom também que as gestantes saibam diferenciar mitos e verdades acerca de histórias das quais elas certamente ouvirão falar nesse período. O Dr. Domingos Mantelli relata no livro “Gestação: Mitos e Verdades Sob Olhar do Obstetra” algumas dessas situações. Veja:

Sexo pode prejudicar o bebê?

Mito. A não ser que exista risco de aborto ou qualquer outro impedimento clínico, a atividade sexual é permitida ao longo da gestação e ajuda até a trazer bem-estar ao bebê, que consegue perceber o carinho do casal.

Toda gestante sente náuseas?

Mito. Embora os enjoos sejam muito comuns na gravidez, especialmente durante o primeiro trimestre, nem toda mulher tem esses sintomas.

Toda mulher pode ter parto natural?

Mito. Cabe ao médico avaliar as condições de saúde da gestante, seu peso e o do bebê, o tamanho da criança e a flexibilidade da mamãe. Há casos em que a cesárea é indicada para não colocar em risco a vida da mãe e do filho.