Comer ou não a placenta após o parto?

Esta semana, o programa Bem Juntinhos, do GNT, mostrou o casal de apresentadores Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert comendo um pedaço da placenta logo após o parto da filha mais nova do casal, Maria Manoela, de um ano e meio. A ação reacende a discussão: aderir ou não à placentofagia?

Rejeitada como resíduo hospitalar após o parto, a placenta tem seus nutrientes e hormônios reconhecidos como aliados da saúde materna pelas mães adeptas da placentofagia.

A atriz Fernanda Machado, por exemplo, conta num vídeo em seu canal do YouTube que ingeriu o órgão na versão em cápsulas para dar uma força no puerpério. O mesmo fizeram as socialites Kardashian (as três irmãs consumiram suas próprias placentas). No Brasil, um dos casos mais conhecidos é o da apresentadora e chef de cozinha Bela Gil, que ingeriu a placenta com vitamina de banana após dar à luz em casa seu segundo filho, Nino.

Porém, um dos grandes impasses que a chamada "medicina da placenta" encontra hoje é a falta de estudos científicos que comprovem sua eficácia no que diz respeito à saúde. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, por exemplo, divulgou um alerta no ano passado para que as mães evitassem a ingestão de cápsulas de placenta depois de um estudo ter indicado que um recém-nascido contraiu uma perigosa infecção por isso.

No Brasil, a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) também desaprova a prática, justamente por não haver estudos suficientes que comprovem a segurança da prática.

Pesquisadores do Weill Cornell Medical College fizeram uma revisão de estudos sobre o assunto e concluíram que há muitos riscos em potencial e nenhum benefício na placentofagia. Os defensores da prática afirmam que o consumo da placenta melhora a produção de leite, dá mais energia e diminui os sintomas do baby blues. Já os médicos apontam para o risco de infecção e contaminação pelas toxinas e hormônios que se acumulam no órgão durante a gestação.

Um estudo da Northwestern University também sugere que a prática pode ser perigosa porque uma das funções do órgão é absorver toxinas para proteger o bebê.

Outro lado
A Universidade de Jena, na Alemanha, publicou no início do ano passado um estudo preliminar em que listou os benefícios hormonais e para a saúde de ingerir a placenta. Um outro estudo, publicado neste mês na revista Birth, feito pela Universidade de Nevada, nos Estados unidos, mostrou que as mães que consumiam a placenta não ofereciam danos aos recém-nascidos, quando comparadas às que não consumiam.

Para chegar à conclusão, foram revisados cerca de 23 mil registros de nascimento em que as mães ingeriram a própria placenta, sendo que os pesquisadores não encontraram aumento do risco de internações em UTI nas primeiras seis semanas de vida; hospitalização neonatal nas primeiras seis semanas; e morte neonatal/infantil, no mesmo período.

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