Geração tique-toque: novos tipos de cacoetes surgem em adolescentes

 

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Artigos publicados em revistas médicas, em Londres, mostraram um grande aumento de jovens que apresentaram início repentino de cacoetes motores e fônicos desde o início da pandemia. A prevalência da doença é em meninas de 12 a 25 anos.

Foi verificado que várias dessas meninas, que tiveram acompanhamento em consultórios, estavam “copiando” influenciadores com a Síndrome de Tourette, doença caracterizada por movimentos repetitivos involuntários ou ruídos. Elas usavam vídeos com a hashtag “#tourettes” no TikTok.

Esse mimetismo já foi descrito como "doença psicogênica em massa", mas costumava ocorrer em locais específicos. Porém, com as redes sociais o alcance é global.

 

Sintomas

Esses cacoetes que os jovens estão desenvolvendo foram apelidados de “tique-toques” e os sintomas são diferentes da Síndrome de Tourette. A Síndrome de Tourette tem início entre 4 e 7 anos, os sintomas são graduais, predominância masculina, e os tiques são como piscar os olhos, mexer a cabeça e limpar a garganta.

Já esses tiques repentinos acontecem entre 12 a 25 anos, o início dos sintomas são abrupto e agudo, com predominância feminina, e tiques como movimentos bruscos, tapas em si mesmo e uso de palavras estranhas ou obscenas.

 

Tratamento

Esses cacoetes podem ser tratados tanto com medicamentos quanto de maneira mais simples com terapia cognitivo-comportamental, dependendo de cada caso. Mas esses "tique-toques" já foram associados a problemas mais graves como depressão, ansiedade e baixa autoestima.

 

Alerta

Assistir vídeos de tiques podem ser um gatilho para esses jovens vulneráveis. O psiquiatra da infância e adolescência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Mauro Victor de Medeiros Filho afirma que  “os adolescentes sentem uma necessidade muito primitiva de ser vistos e de ter uma identidade, mesmo que seja a de um doente”. Ele ainda ressalta que “ao ver vídeos de tiques, o corpo ‘aprende’ a imitá-los e isso pode acabar exacerbando o problema.” 

Os responsáveis pelo TikTok se pronunciaram: “A segurança e o bem-estar de nossa comunidade são nossa prioridade, e estamos consultando especialistas do setor para entender melhor essa experiência específica”.

Fica o alerta para os pais. Os adolescentes precisam de moderação para o uso das redes sociais. Os responsáveis precisam ficar atentos ao que os filhos estão tendo acesso na internet e atentos também a qualquer sintoma que eles venham apresentar.

 

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