Como identificar se seu filho está com estresse pandêmico?

Uma pesquisa do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), baseada em respostas de cerca de 7 mil pais de crianças e adolescentes dos 5 aos 17 anos, mostra que 27% das pessoas dessa faixa etária apresentam sintomas de ansiedade ou depressão em nível clínico na pandemia, ou seja, com necessidade de avaliação profissional.

Segundo a psiquiatra da Infância e Adolescência Dra. Danielle Admoni, as crianças podem dar os primeiros sinais desse estresse com atitudes que antes não eram comuns. "Ficam mais chorosas, não dormem bem, alteram o apetite, regridem no desenvolvimento (uma criança que já havia realizado o desfralde volta a fazer xixi na cama, por exemplo) e evoluem para quadros mais intensos de agitação, agressividade, personalidade introspectiva, sentimento de incompetência e déficit de atenção”, avalia.

A especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) explica que toda criança será exposta, inevitavelmente, a situações adversas, como a perda do seu animal de estimação, mudança de escola, de cidade, entre outras. Mas, no momento atual, o cenário é mais delicado, pois se trata de um episódio completamente atípico.

“A evolução do indivíduo depende da genética e do ambiente que o cerca. Durante a pandemia, esse ambiente tende a se tornar inapropriado para o crescimento adequado de uma criança, que está em intenso desenvolvimento cerebral”, observa a Dra. Danielle.

Quais as consequências?
Quando a criança é exposta ao estresse constante, toda a sua estrutura cerebral é afetada, provocando disfunção no sistema neurológico e endocrinológico. “Essas alterações se refletem na vida adulta, com o desencadeamento de doenças crônicas, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes, doenças pulmonares, transtornos mentais (como depressão ou transtorno de ansiedade generalizada) e maior risco à dependência química”.

Como lidar com os sintomas?
De acordo com a psiquiatra, em meio a todas essas situações atuais, fica mais evidente a importância do suporte familiar, do acolhimento, do incentivo às atividades de lazer, do estabelecimento de uma rotina saudável (alimentação, sono e exercícios) e, se necessário, de um tratamento multidisciplinar com psicoterapia.

“Todo esse amparo, somado a sua maturidade, ao seu estágio de desenvolvimento e sua habilidade intrínseca, serão determinantes para que a pandemia não gere graves consequências à criança”, finaliza Danielle Admoni.

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